O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que não aceita o novo plano de 15 pontos apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra na Faixa de Gaza. A declaração foi feita durante uma reunião transmitida com integrantes do governo israelense, segundo informações da agência Reuters.
Durante o encontro, Netanyahu declarou: “Israel não aceita o documento de 15 pontos”. O premiê ressaltou que as forças militares do país não deixarão suas posições antes que o Hamas entregue todo o seu armamento.
Impasse sobre as etapas do acordo
O plano proposto por Trump em julho previa a saída gradual das tropas israelenses à medida que o grupo palestino fosse desarmado. A segurança do território passaria a ser exercida por uma força internacional e por uma nova polícia palestina.
No entanto, o processo emperrou na definição da cronologia das ações. Israel exige o desarmamento completo antes de qualquer recuo militar. Por outro lado, o Hamas condiciona o avanço do acordo ao cumprimento prévio de exigências por parte de Israel, incluindo a retirada do exército e o fim dos ataques.
Posição do Hamas e dos mediadores
O dirigente do Hamas, Basem Naim, afirmou à Reuters que o grupo permanece comprometido com o roteiro estabelecido no Cairo dez dias antes. Naim solicitou que os Estados Unidos e os mediadores pressionem o governo de Israel para dar continuidade ao processo.
Segundo o representante, o acerto não utiliza o termo “desarmamento”, mas estabelece que as armas sejam entregues e mantidas sob a responsabilidade de uma administração palestina composta por tecnocratas, com o apoio dos Estados Unidos.
O enviado para Gaza do Conselho de Paz criado por Trump, Nikolay Mladenov, declarou à emissora israelense N12 que as negociações prosseguem. Mladenov explicou que o recuo israelense deve ocorrer por setores, após as armas do Hamas serem entregues e inutilizadas.
Contexto político e redução de operações
As forças israelenses reduziram o ritmo das operações militares em Gaza a partir da reunião realizada entre Mladenov e Netanyahu. De acordo com uma fonte consultada pela Reuters, Israel concordou em limitar as ações a situações de ameaça imediata e suspendeu ataques direcionados frequentes.
A discussão ocorre em meio ao período eleitoral em Israel, onde Netanyahu busca a reeleição no pleito marcado para 27 de outubro. O primeiro-ministro enfrenta oposição interna de integrantes da extrema direita do governo, como o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, que defendeu publicamente a permanência das tropas no território até a destruição completa da capacidade militar do Hamas.



