Cortes em programa dos EUA fecham 1,7 mil serviços de HIV, indicam estudos

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Créditos/Reprodução Internet

Cortes promovidos pelo governo dos Estados Unidos no Pepfar, o principal programa norte-americano de combate ao HIV, resultaram no fechamento de cerca de 1.700 pontos de atendimento em 46 países. Além disso, 77 mil crianças soropositivas deixaram de receber atendimento pela rede apoiada pela iniciativa em um ano, representando uma queda de 14,2%.

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Os dados constam em dois estudos programados para apresentação na Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. Segundo os organizadores, o evento reúne 7.000 participantes em sua primeira edição na América do Sul.

A presidente da Sociedade Internacional de Aids (IAS) e diretora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (Fiocruz), Beatriz Grinsztejn, destacou que os avanços científicos dependem de acesso e financiamento estável para chegar aos pacientes.

Impacto nas organizações e na prevenção

O Pepfar Pulse Study consultou 166 organizações parceiras entre novembro de 2025 e abril de 2026. De acordo com a pesquisadora Elise Lankiewicz, da amfAR, 52% das entidades consultadas perderam ao menos um repasse financeiro integralmente. Entre as instituições que mantiveram o financiamento, 77% relataram a imposição de novas exigências para a manutenção dos recursos.

As restrições inclúram limitar ações a atividades classificadas como de “salvamento de vidas”, impor exigências ligadas a gênero, diversidade, equidade e inclusão, além de reduzir serviços voltados a populações mais vulneráveis. Entre as entidades que ofereciam prevenção, 43% interromperam a distribuição de preservativos e de PrEP (profilaxia pré-exposição). Ações comunitárias e de apoio à adesão ao tratamento registraram interrupções em mais de 80% das organizações atuantes na área.

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Queda no tratamento infantil

O segundo levantamento, conduzido por Ramona Godbole, do Instituto Heidelberg de Saúde Global, comparou o atendimento pediátrico apoiado pelo Pepfar entre 2024 e 2025. A pesquisa identificou a redução de 77 mil crianças na rede de tratamento.

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Conforme o relatório, 20 dos 21 países com maior número de crianças no programa registraram queda. As maiores reduções absolutas ocorreram na África do Sul, com perda de quase 31 mil atendimentos, seguida por Zimbábue e Quênia, com diminuição superior a 6.000 crianças cada. Em termos percentuais, África do Sul e Índia registraram as maiores quedas, superiores a 40%.

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