A companhia aérea Azul anunciou, nesta quinta-feira (9), uma revisão significativa em sua projeção de oferta de assentos para o ano corrente. Durante o evento Azul Day, realizado em Nova York, a empresa informou que, em vez de um crescimento de 1% em relação ao ano anterior, a expectativa agora é de uma redução de 4,8% na sua capacidade.
A decisão reflete a estratégia da companhia para fortalecer sua resiliência operacional diante dos desafios impostos pela crise do petróleo. O presidente da Azul, Abhi Shah, explicou que esta abordagem de menor crescimento permite à empresa ser mais seletiva em sua demanda, ao contrário de períodos de alta expansão onde toda a demanda era absorvida. Ele enfatizou a satisfação com a medida, especialmente considerando o atual cenário de preços do combustível.
Detalhes financeiros da companhia foram apresentados por Antonio Carlos Garcia, CFO da Azul. O executivo destacou os esforços contínuos para diminuir a alavancagem da empresa, que atualmente se encontra em 2,5 vezes, com a meta ambiciosa de atingir um patamar abaixo de 1,5 vez até 2029. Garcia ressaltou que uma alavancagem mais baixa é crucial para “navegar por períodos de instabilidade”, além de assegurar que a Azul mantém uma sólida posição de caixa, afastando preocupações com liquidez nos próximos anos. O vice-presidente institucional da Azul, Fabio Campos, também mencionou o suporte governamental ao setor aéreo, indicando que o governo compreendeu a necessidade de auxiliar as companhias. Segundo Campos, esses recursos serão importantes para ajudar a Azul a reduzir sua exposição ao dólar, citando o Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) como uma linha de garantia para crédito.
Ainda no âmbito da estratégia, a concorrência com a Latam foi abordada. A Latam também encomendou aeronaves E2 da Embraer, levantando questões sobre seu uso em rotas regionais, embora as rotas específicas ainda não tenham sido anunciadas. O CEO da Azul, John Rodgerson, comentou que a Azul apostou nesse modelo há uma década, esclarecendo que o E2 é uma aeronave de porte maior, não sendo classificado como regional, diferentemente do ATR. Ele ainda observou que a Latam é vista como um competidor racional no mercado. Sobre as operações em São Paulo, Abhi Shah mencionou a expectativa da Azul pelo aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para o aporte da American Airlines na companhia. A aprovação do Cade é vista como um passo para a implementação de um codeshare com a American em Guarulhos.
Perspectivas futuras indicam que a Azul está aberta a futuras parcerias em outros terminais, considerando que a American Airlines, antes da pandemia, tinha uma presença mais forte em diversas regiões do Brasil, mas desde então concentrou suas operações em Guarulhos. O evento Azul Day, palco desses anúncios, ocorreu no edifício da Bolsa de Nova York, logo após a cerimônia que marcou a relistagem das ações da companhia na Nyse. A reestruturação e as novas projeções reforçam a busca da Azul por adaptabilidade e solidez em um mercado dinâmico.



