Mercado de trabalho jovem atinge recorde de ocupação, mas rotatividade persiste

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Créditos: Imagem/Divulgação

O Brasil registrou um número recorde de 13,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos ocupados no mercado de trabalho durante o primeiro trimestre deste ano. Este patamar, que supera o nível pré-pandemia, é acompanhado por uma significativa queda na taxa de desemprego para esta faixa etária, que foi reduzida pela metade desde o pico de 2021. Contudo, o grande desafio atual se concentra em assegurar a permanência e a qualidade dos vínculos desses jovens no ambiente profissional, conforme revelado por um levantamento recente.

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Os dados são parte do inédito Diagnóstico da Juventude Brasileira, um estudo elaborado pela Secretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (SEET) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Divulgado nesta quinta-feira (dia 25), o levantamento cruza informações de importantes bases de dados como a PNAD Contínua, a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e o eSocial. A pesquisa aponta uma mudança no panorama: se antes a principal barreira para os jovens era a escassez de oportunidades, agora os entraves mais proeminentes são a alta rotatividade e a precariedade dos vínculos empregatícios.

O país conta com uma população de 32,9 milhões de pessoas na faixa etária entre 14 e 24 anos. Desse total, os 13,9 milhões mencionados estão ocupados, enquanto 12,8 milhões dedicam-se exclusivamente aos estudos. Outros 9,6 milhões concentram-se apenas no trabalho, e 4,3 milhões buscam conciliar ambas as atividades. Há ainda uma parcela de 6,2 milhões de jovens que não estudam nem trabalham, grupo conhecido como ‘nem-nem’. A pressão para ingressar no mercado de trabalho manifesta-se precocemente, especialmente entre adolescentes.

Para os adolescentes de 14 a 17 anos, 15,6% estão ativamente buscando emprego, enfrentando uma taxa de desemprego de 25,1%, um índice mais de quatro vezes superior à média nacional de 5,8%. Já na faixa etária de 18 a 24 anos, a taxa de desemprego é menor, de 13,8%, mas ainda assim permanece acima da média geral do país. A instabilidade também é um fator relevante: cerca de 52% dos trabalhadores adolescentes permanecem menos de um ano no mesmo emprego. Além disso, apenas 57,8% dos jovens ocupados possuem carteira de trabalho assinada.

A jornada de trabalho dos mais novos também merece atenção, com adolescentes dedicando, em média, 27,3 horas semanais ao emprego. Esse período excede em cerca de 7,3 horas o tempo considerado ideal para conciliar com a rotina escolar, o que, segundo a pesquisa, pode comprometer seriamente a formação educacional. Em termos de educação, cerca de 73% dos jovens possuem ao menos o ensino médio completo. Contudo, os números do ensino superior ainda são considerados modestos diante da população jovem, com 2,3 milhões de matriculados e 944 mil graduados.

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Por fim, o levantamento do MTE destaca a persistência de desigualdades no mercado de trabalho juvenil. Um exemplo marcante é a diferença salarial entre aprendizes, onde meninos brancos recebem, em média, 8,4% a mais do que jovens pardos que desempenham a mesma função. Esses dados sublinham a necessidade de políticas públicas e iniciativas setoriais que não apenas gerem mais vagas, mas que também garantam maior estabilidade, melhores condições de trabalho e a redução das disparidades, assegurando um futuro mais equitativo para a juventude brasileira.

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