O governo brasileiro está avaliando a conveniência de um novo encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A possível reunião ocorreria durante a cúpula do G7, agendada para os dias 15 e 17 deste mês, na França.
A deliberação surge após os dois chefes de Estado terem se encontrado recentemente, no último dia 7 de maio, em Washington. Para o Brasil, uma nova conversa formal faria sentido apenas se surgissem pontos específicos a serem discutidos, como novas tarifas comerciais ou a classificação de facções criminosas como grupos terroristas, cenário que dependeria de tratativas prévias entre seus auxiliares. Até o momento, o governo brasileiro não formalizou o pedido de reunião com o presidente norte-americano.
Apesar da ausência de um pedido formal, um encontro informal entre Lula e Trump é considerado inevitável durante a cúpula, dada a natureza restrita do número de participantes. O G7, composto pelas sete maiores economias do mundo, convidou o Brasil, que não é membro, para participar dos debates. Inicialmente, Lula havia manifestado que não compareceria, mas reviu sua decisão diante da iminência de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. “Eu nem ia ao G7, mas agora eu vou, porque é preciso alguém colocar ordem na casa e dar um fim no desmonte do multilateralismo, no desmonte da democracia e na desvalorização das instituições”, declarou o presidente brasileiro em reunião ministerial na última quarta-feira.
Desde o encontro na Casa Branca, em 7 de maio, o cenário bilateral foi marcado por desenvolvimentos significativos. Os Estados Unidos classificaram as facções brasileiras PCC e CV como organizações terroristas. Além disso, concluíram duas investigações sobre relações comerciais que culminaram em propostas de tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos importados do Brasil. Espera-se que, mesmo sem uma reunião direta com Trump, Lula aborde a questão das tarifas em sua fala no G7, visto que “os desequilíbrios macroeconômicos globais” é um dos temas centrais da cúpula.
Nesta semana, Washington divulgou relatórios detalhando essas investigações. Uma delas, anunciada na terça-feira, sugere uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, em um processo que aponta práticas comerciais “desleais”, abrangendo desde o uso do Pix e questões de propriedade intelectual até decisões judiciais e desmatamento. O relatório descreve atos, políticas e práticas do governo brasileiro como “irrazoáveis” e que “oneram ou restringem” o comércio dos EUA. No dia seguinte, foi proposta uma tarifa de até 12,5% para 60 países, incluindo o Brasil, por supostas falhas relacionadas ao “trabalho forçado”, implicando que o país não impede a entrada de produtos que desrespeitam essas regras.
Economistas e especialistas em comércio exterior interpretam a série de movimentos como uma tentativa do presidente Donald Trump de reerguer seu “muro tarifário”. Essa estratégia surge após a Suprema Corte dos EUA ter derrubado, em fevereiro de 2025, taxas de importação que haviam sido previamente anunciadas pelo republicano.



