Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se encontraram nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington. A reunião teve como pauta principal discussões sobre o comércio bilateral, incluindo a questão das tarifas e terras raras, além do combate ao crime organizado transnacional. Ambos os líderes classificaram o encontro como muito produtivo, marcando um novo capítulo nas relações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Brasil.
Este encontro foi o terceiro entre os dois presidentes durante o atual mandato de Lula e ocorreu em um cenário de forte pressão americana sobre o Brasil. Em abril de 2025, os Estados Unidos impuseram uma sobretaxa de 10% sobre importações globais, e em agosto, uma nova tarifa de 50% foi aplicada a alguns produtos brasileiros. O Brasil utilizou as vias diplomáticas para tentar reverter a situação, resultando em conversas rápidas em setembro, nos bastidores da Assembleia da ONU, e em uma reunião em outubro, na Malásia. Em novembro, a taxa extra foi reduzida para itens-chave da pauta de exportação brasileira, como café, carne e frutas. No cenário internacional, divergências como a retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela e o início de uma guerra com o Irã também foram pontos de consideração nas relações bilaterais.
A reunião na Casa Branca começou às 12h21, horário de Brasília, com o tradicional aperto de mãos entre os presidentes. Diferentemente do habitual, a pedido de Lula, a fala dos presidentes para a imprensa foi postergada para depois do encontro. A conversa no Salão Oval se estendeu por quase uma hora e meia, superando a previsão inicial, e foi seguida por um almoço na sala ao lado, adicionando mais uma hora e meia de discussões. No total, foram quase três horas de conversas, que contaram com a presença de comitivas estratégicas de ambos os lados. A delegação americana focou na economia, incluindo o vice-presidente J.D. Vance e os secretários do Tesouro, Scott Bessent, e do Comércio, Howard Lutnick. A comitiva brasileira, por sua vez, priorizou temas como tarifas, combate ao crime organizado e negócios envolvendo terras raras, com a presença dos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, da Justiça, Wellington César Lima e Silva, da Fazenda, Dario Durigan, da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Após o término das discussões, os presidentes não realizaram uma coletiva de imprensa conjunta na Casa Branca. Donald Trump, em uma rede social, descreveu Luiz Inácio Lula da Silva como um “dinâmico presidente” e afirmou que a reunião foi “muito bem”, com foco em comércio e tarifas, e que novos encontros seriam agendados. Já Lula, em coletiva na embaixada do Brasil em Washington, classificou o encontro como um passo importante, saindo otimista e satisfeito. Entre os tópicos, Lula destacou a conversa sobre minerais críticos e terras raras, fundamentais para alta tecnologia e transição energética. O Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial desses minerais, ainda pouco explorada, convidou empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas e francesas para parcerias, enquanto o Congresso discute um marco regulatório para o setor. Sobre as tarifas, Lula informou que o Brasil cobra uma média de 2,7% de impostos sobre produtos americanos, mas a delegação dos EUA divergiu do número. Diante disso, foi acertada a criação de um grupo de trabalho para analisar os impostos e apresentar uma proposta em 30 dias. Lula também mencionou que questões como a investigação dos EUA sobre supostas práticas desleais de comércio, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio Americana, e o PIX, considerado prejudicial por bandeiras de cartões de crédito americanas, seriam tratadas por esse grupo de trabalho, conforme sua resposta à correspondente Raquel Krähenbühl. O combate ao crime organizado transnacional também esteve na pauta, e Lula negou ter discutido a possibilidade de os EUA classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, defendendo a criação de um grupo de trabalho com todos os países das Américas para o enfrentamento.
Em relação a questões mais sensíveis, Lula expressou não acreditar em uma possível interferência de Donald Trump nas eleições brasileiras de 2026, ressaltando que o povo brasileiro é quem decide seu destino. O presidente brasileiro também entregou uma lista com nomes de autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República e familiares do ministro da Saúde, que estão com vistos americanos suspensos. Com a aprovação da lei de dosimetria no Congresso Nacional, que permite a diminuição das penas para condenados por tentativa de golpe, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula manifestou esperança de que Trump possa reconsiderar a liberação desses vistos. Ao final de sua coletiva, Luiz Inácio Lula da Silva reiterou seu otimismo com os resultados das reuniões, afirmando estar feliz e esperando que as relações e as pautas discutidas avancem nos próximos meses, uma perspectiva que, segundo ele, foi compartilhada por Trump.



