A família de Eliza Samudio voltou a cobrar publicamente a prisão do ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo assassinato dela e atualmente considerado foragido pela Justiça do Rio de Janeiro. A denúncia foi formalizada em uma carta aberta, enviada nesta terça-feira, na qual a mãe da vítima e a madrinha de seu filho fizeram um apelo às autoridades por rigor no cumprimento da pena.
A cobrança surge após a Vara de Execuções Penais revogar o benefício de livramento condicional de Bruno e expedir um mandado de prisão no dia 5 de março. A decisão judicial foi tomada devido ao descumprimento de medidas impostas para a manutenção do benefício. No entanto, o ex-jogador não se apresentou às autoridades desde então, levando a família a classificá-lo como um “feminicida que desfila impune” no documento.
Assinada por Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, e Maria do Carmo dos Santos, madrinha de Bruninho, a carta detalha uma série de violações que teriam sido cometidas por Bruno Fernandes. Entre as irregularidades apontadas, a família afirma que, desde 2023, o ex-goleiro não era localizado para cumprir as obrigações do livramento condicional, como manter o endereço atualizado e comparecer para assinar documentos obrigatórios.
O documento também denuncia diversas viagens realizadas por Bruno a estados como Espírito Santo, Minas Gerais e Acre, mesmo com restrições judiciais. Um dos episódios de maior indignação, conforme a carta, ocorreu em fevereiro deste ano, quando ele participou de uma partida de futebol pelo Vasco-AC no Campeonato Brasileiro, sem autorização da Justiça. Para as familiares, essa situação representa uma “afronta”, especialmente diante do fato de que o corpo de Eliza Samudio nunca foi localizado. Além disso, a família relata que Bruno negou a paternidade do filho por anos e não contribui financeiramente para a criação de Bruninho há quase quatro anos.
Diante do quadro de dor, revolta e sensação de impunidade, Sônia Moura e Maria do Carmo reforçam que buscam justiça, não vingança, pedindo o cumprimento integral da lei. Elas solicitam que a Vara de Execução Penal investigue todas as viagens não autorizadas e que o Ministério Público atue com rigor diante do descumprimento reiterado das exigências da Lei de Execução Penal. A família também exige que Bruno Fernandes seja responsabilizado criminalmente pela fuga e por cada violação cometida, alertando que a leniência do Estado envia uma mensagem perigosa à sociedade. O caso, que teve grande repercussão nacional após a condenação de Bruno em 2013 a mais de 22 anos de prisão por feminicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver, continua sem o paradeiro do corpo da vítima, e o Disque Denúncia já pediu informações sobre o ex-goleiro.



