Vorcaro teria ordenado ataque hacker para apagar provas do iCloud

4 min de leitura
Créditos/Reprodução Internet

Ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março, teria ordenado, em janeiro, um ataque hacker contra suas contas do iCloud e a do cunhado Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro do Banco Master. A operação teria sido encomendada enquanto Vorcaro cumpria prisão domiciliar em São Paulo, período em que a Polícia Federal já mantinha seu celular sob controle há cerca de dois meses e havia bloqueado o acesso externo aos dados.

- Publicidade -

A tarefa foi repassada ao publicitário e lobista Thiago Miranda, que acionou o especialista em segurança digital Thiago Santos. Segundo a reportagem da revista Piauí assinada por Breno Pires, Santos conseguiu acessar a conta de Vorcaro, mas a tentativa foi detectada pela PF, que conteve a ação e preservou as informações. O objetivo seria apagar fotos, mensagens e arquivos armazenados no iCloud antes que os investigadores coletassem os dados dos celulares apreendidos.

A conta de Fabiano Zettel também teria sido alvo. Zettel foi preso em 14 de janeiro, ao tentar embarcar para Dubai no Aeroporto de Guarulhos, e liberado no mesmo dia, mas teve o celular apreendido pela PF. A tentativa de destruição de provas pode configurar obstrução de justiça, embora a responsabilização criminal dependa da apuração das autoridades.

Quem é Thiago Miranda

A revista indica que Miranda recebeu a ordem de Vorcaro e procurou Santos para executar a invasão digital. Miranda também é descrito como interlocutor do ex‑banqueiro com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), em tratativas financeiras relacionadas ao filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro. Em julho de 2026, a PF realizou busca e apreensão contra Miranda sob suspeita de obter informações sigilosas e coagir adversários de Vorcaro; seu passaporte foi apreendido por ordem do ministro André Mendonça (STF). O conteúdo do celular de Vorcaro revela contatos frequentes de Miranda com o deputado Mario Frias (PL‑SP) e com Eduardo Bolsonaro ao longo de 2025.

Dossiês e outras solicitações

Além da invasão ao iCloud, Vorcaro teria pedido a Miranda a elaboração de um relatório sobre o agente da PF Wilker Goulart, que investigava o caso Master, e um dossiê sobre o diretor do Banco Central Renato Dias de Brito Gomes, responsável pela área de Organização do Sistema Financeiro e Resolução. Um grupo ligado a Miranda teria preparado o dossiê sobre Goulart dias antes de Vorcaro mencioná‑lo em audiência no STF, em 30 de dezembro de 2025. Santos teria produzido um documento de 11 páginas sobre Gomes e a ofensiva incluiu montagens e publicações nas redes sociais que criticavam sua atuação na liquidação do Banco Master, concluída em novembro de 2025.

- Publicidade -

Tentativa de remoção de notícias

Miranda teria novamente acionado Santos para tentar retirar da internet notícias publicadas por veículos de Miami sobre Vorcaro e sua então noiva, a influenciadora Martha Graeff. A operação teria contado com escritórios de advocacia digital nos Estados Unidos para solicitar a remoção de conteúdos à Meta (Instagram e Facebook). O monitoramento digital continuou até poucos dias antes da segunda prisão de Vorcaro, em março de 2026, e também acompanhou familiares do ex‑banqueiro investigados pela PF.

- Publicidade -

Reações dos citados

Thiago Miranda não comentou os fatos; seu advogado Rafael Martins alegou que os atos são legais e estão sendo apurados nas operações Compliance Zero e Projeto DV. A defesa de Vorcaro não respondeu aos questionamentos da revista. Thiago Santos negou qualquer irregularidade e afirmou ter comparecido espontaneamente à PF para prestar esclarecimentos.

A reportagem conclui que a tentativa de apagar evidências ainda está sob investigação, podendo configurar crime de obstrução de justiça, dependendo da análise das autoridades competentes.

Compartilhar este artigo