Relatório aponta que 74 mil crianças em Gaza enfrentam risco de desnutrição aguda

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Gaza

Mais de 74 mil crianças palestinas com idades entre seis meses e cinco anos devem sofrer desnutrição aguda na Faixa de Gaza entre maio de 2026 e abril de 2027, segundo relatório da Classificação Integrada da Segurança Alimentar (IPC) divulgado nesta quinta-feira (23). O levantamento aponta que 11.432 desses casos são considerados graves, com risco de complicações irreversíveis ou morte.

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O documento do IPC também prevê que 24,6 mil mulheres grávidas ou em período de amamentação precisarão de atendimento nutricional urgente. De acordo com o órgão, mais de 1,4 milhão de pessoas — o equivalente a 67% da população local — devem viver em crise alimentar ou situação pior até dezembro, sendo 212 mil em estado de emergência.

A ajuda humanitária é o principal fator de contenção de um cenário ainda pior. O IPC estima que, sem a distribuição de alimentos, 1,9 milhão de habitantes (90% da população) enfrentariam altos níveis de insegurança alimentar. Atualmente, mais de 70% das famílias recorrem a medidas extremas para obter comida e cerca de 83% não possuem fonte de renda.

A escassez de mantimentos é acompanhada do comprometimento da infraestrutura local. Segundo o relatório, 95% da infraestrutura agrícola de Gaza foi destruída, mais de 70% das terras agrícolas estão inacessíveis e apenas 3% podem ser cultivadas. Além disso, três quartos das residências e mais de 70% das estradas foram danificados ou destruídos.

O quadro nutricional é correlacionado pelo relatório às conclusões da Comissão Internacional Independente de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU), que identificou atos previstos na Convenção do Genocídio por parte de Israel. O governo israelense rejeita a acusação, afirma facilitar a entrada de ajuda e atribui os gargalos operacionais ao Hamas e às agências humanitárias.

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