O apresentador Ratinho e a ex-bailarina Cíntia Cristina de Mello chegaram a um acordo judicial para encerrar o processo no qual ela o acusava de racismo. A homologação do acordo pela Justiça ocorreu na semana passada, pondo fim à ação que demandava uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais. O caso, que se tornou público em dezembro de 2025, teve origem em um episódio ocorrido em 1º de abril de 2024, durante o “Programa do Ratinho”.
A bailarina Cíntia Cristina de Mello havia movido a ação judicial contra o apresentador Ratinho pleiteando uma compensação milionária, após acusá-lo de comentários racistas feitos ao vivo. O processo buscava R$ 2 milhões em danos morais, refletindo a gravidade das alegações. Segundo informações obtidas por Gabriel Vaquer e Rogério Gentile, os valores exatos do acordo não foram revelados devido a uma cláusula de confidencialidade estabelecida entre as partes. Além disso, o pacto proíbe manifestações públicas sobre o assunto e a ação tramita sob segredo de justiça.
O cerne da disputa judicial remonta a um episódio ocorrido em 1º de abril de 2024, quando Cíntia Cristina de Mello ainda integrava o balé da atração “Programa do Ratinho”, função que desempenhou por quase nove anos. Durante a exibição, o apresentador Ratinho fez comentários sobre o cabelo da bailarina. Ele iniciou dizendo: “Cíntia, essa peruca sua é a mais bonita”, ao que Cíntia respondeu: “Mas não é peruca, é meu cabelo. Hoje realmente é o meu”. O apresentador insistiu: “Não é seu cabelo! Eu vi um piolhinho aqui, puxa o cabelo dela, Milene“, pedindo à assistente de palco para verificar.
Após o incidente, Ratinho teria concluído, ao notar que o cabelo era natural: “Então é bonito. Mas eu achei que era uma peruca”. No entanto, para Cíntia Mello, a fala ao vivo gerou humilhação, exposição nacional, repercussão negativa e comentários ofensivos nas redes sociais. A bailarina afirmou ter procurado o apresentador para expressar seu desconforto, mas não obteve um pedido de desculpas, sendo sua queixa supostamente tratada como “mimimi” por Ratinho. Os advogados de Cíntia, Cristiane Linhares e Ed Matos da Silva, sustentaram na ação que os comentários ultrapassaram os limites de uma brincadeira, afirmando: “Não há dúvida de que se trata de insulto que fere gravemente a honra dos negros, pois constitui desprezo e ataque injustificável à personalidade e à identidade dos indivíduos, que resulta em sofrimento, constrangimento e profundo abalo moral”.
Poucos dias após o ocorrido, Cíntia Mello pediu demissão do SBT e classificou o episódio como “racismo recreativo”. Em sua manifestação à Justiça, ela ressaltou que “há inúmeras práticas racistas naturalizadas em nosso cotidiano, materializadas em microagressões, que partem de comportamentos que, de tão enraizados, são, por vezes, inconscientes”. Em contrapartida, Ratinho e a emissora negaram qualquer ato discriminatório, argumentando que o ocorrido não passou de uma “brincadeira típica do formato humorístico do programa”. A defesa do apresentador alegou que a brincadeira foi feita com uma pessoa “com quem possuía um grande laço de amizade” e que a própria Cíntia teria enviado mensagens de áudio afirmando que a situação não teve cunho racista, alegando que ela estaria sendo pressionada por “grupos raciais” a ingressar com a ação. O apresentador, procurado, limitou-se a declarar, através de sua assessoria, que não comenta ações judiciais.



