Muito além do vínculo ou do sentimento nutrido entre duas pessoas, afeto é uma força transformadora. É aquilo que altera a maneira como percebemos o mundo, agimos e nos relacionamos. Esta é a proposta de “Que afeto é esse?”, exposição de arte contemporânea só com trabalhos produzidos por mulheres, que estará em cartaz entre os dias 23 de setembro até 25 de outubro, na Casa Conteúdo, em São Paulo.
Ao todo, 16 artistas, incluindo nomes internacionais como Marina Abramović (Sérvia), Janet Vollebregt (Holanda) e Gabriela Sacco (Argentina), ocupam uma casa na Rua Groenlândia, nos Jardins. A exposição reúne, além de trabalhos de acervo, obras inéditas e site specific. Uma curadoria difusa, orquestrada pela diretora artística da exposição, Stefania Dzwigalska, com um time diverso de especialistas. A pesquisa sobre o tema da exposição foi realizada por uma parceria entre Stefania Dzwigalska e a artista D’Anunziata. A consultoria artística é de Marc Pottier, a curadoria da programação paralela é de Giuliana Bergamo, com consultoria da Casa do Saber.
Quem dá as boas-vindas aos visitantes da exposição é Maria, uma escultura-móvel humanoide concebida pela artista D’Anunziata. Criada a partir de reflexões sobre a crescente convivência entre seres humanos e inteligências artificiais, a Maria inaugura uma pergunta central: como compreender aquilo que afeta os seres humanos? A partir dessa questão, Maria convida os visitantes a explorar a casa como um campo de investigação.
A humanoide não utiliza inteligência artificial nem sistemas de aprendizado de máquina. Seus movimentos foram previamente concebidos como uma coreografia, aproximando a obra de uma performance. “Maria surgiu do desejo de criar uma presença localizada entre o humano e o não humano. Ela não foi feita para nos obedecer ou oferecer respostas. O que me interessa é perceber como projetamos sentimentos, intenções e expectativas sobre algo que não sente da mesma forma que nós”, explica D’Anunziata.
As obras reunidas abordam diferentes forças que atravessam a experiência humana: memória, desejo, cuidado, pertencimento, solidão, tecnologia e formas de relação, buscando tornar visível aquilo que normalmente opera abaixo da superfície do cotidiano.
A exposição tem ainda duas participações especiais. Uma delas é a brasileira Maria Martins (1894–1973), uma das mais importantes escultoras do modernismo brasileiro. Outro destaque é um retrato inédito de Tarsila do Amaral, clicado em Paris em 1921, às vésperas da Semana de Arte de 22. Tarsila do Amaral presenteou a foto para um amigo, em 1972, que a cedeu para a exposição. Para além de ser exibida aos visitantes, a peça serviu de inspiração para uma das obras que a artista Thix criou especificamente para a mostra atual. Trata-se de um processo criativo forjado na essência do projeto. Ou seja: afetada pela imagem de Tarsila do Amaral, Thix realizou seu trabalho.
“Que afeto é esse?” é a sexta edição da Mostra Contemporâneas Vivara. A seleção das artistas e das obras foi orientada pela capacidade de cada trabalho de provocar diferentes modos de relação. O conjunto reúne nomes como Sonia Gomes, Regina Silveira, Karen de Picciotto, Leandra Espírito Santo, Maria Fernanda Paes de Barros, Mercedes Lachmann, Nazareth Pacheco, além das duplas e parcerias com Raquel Kogan e Rejane Cantoni, e Helena Martins-Costa.
Serviço:
- Exposição: “Que Afeto É Esse?”
- Abertura: 23 de setembro
- Período: 23 de setembro a 25 de outubro de 2026
- Local: Casa Conteúdo (Rua Groenlândia, 1089, Jardim Europa – São Paulo/SP)
- Horário: Terça a sexta, das 11h às 19h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h
- Entrada: Gratuita (reserva de ingressos pelo site)



