A plataforma de mercado de previsão Polymarket registrou, neste sábado (31), 71% de probabilidade de o Partido Democrata conquistar simultaneamente o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato, marcadas para a próxima terça-feira (3). O resultado projetado significaria a perda da maioria nas duas Casas legislativas pelo Partido Republicano, do presidente Donald Trump.
Na consulta à plataforma, o segundo cenário mais cotado, com 24% de chance, aponta para uma Câmara sob domínio democrata e o Senado mantido sob controle republicano. Já a hipótese de manutenção da maioria republicana em ambas as Casas aparecia com apenas 5%. Os percentuais refletem os preços dos contratos negociados entre os participantes e oscilam continuamente em função das operações efetuadas no mercado.
Em negociações para contratos específicos, os operadores da Polymarket atribuem 95% de chance de vitória democrata na Câmara, 72% no Senado e 82% de probabilidade de a oposição garantir a maioria dos governos estaduais. Algumas disputas estaduais decisivas para o Senado indicam inclinação favorável aos democratas, com probabilidades estimadas em 80% em Michigan, 74% em Ohio e 72% no Texas.
Os republicanos ocupam atualmente 53 das 100 cadeiras do Senado norte-americano. De acordo com um relatório emitido pelo banco suíço Mirabaud, os democratas necessitam de um ganho líquido de quatro assentos para assumir o comando da Casa Alta, cálculo que considera a diferença exata entre os mandatos conquistados e os eventualmente perdidos pela legenda.
O favoritismo projetado pela Polymarket coloca em dúvida o cumprimento de uma promessa efetuada por Donald Trump em setembro. O presidente afirmou que cada cidadão adulto norte-americano receberia um dividendo de US$ 5.000 caso os republicanos mantivessem o controle da Câmara e do Senado. O benefício exigiria cerca de US$ 1,2 trilhão e não apresenta um plano claro de financiamento, tornando-se praticamente inviável perante um Congresso dominado pela oposição.
As apostas vinculadas ao pleito eleitoral norte-americano movimentam aproximadamente US$ 1,5 bilhão entre a Polymarket e a plataforma Kalshi, segundo análise da Bloomberg citada pelo Valor. O setor expandiu sua atuação por meio de parcerias comerciais com grandes veículos de comunicação, incluindo CNN, CBS News, CNBC e Dow Jones. Contudo, mais de uma dúzia de estados dos Estados Unidos moveram ações judiciais contra as empresas da área, alegando que os serviços configuram modalidade ilegal de jogo.
Apesar dos dados expressivos, analistas ressaltam que os indicativos de mercado diferem das pesquisas eleitorais tradicionais. Os percentuais da Polymarket traduzem a probabilidade de um resultado segundo as cotações financeiras negociadas, sem representar a intenção direta de voto do eleitor ou prever margens de vitória. Além disso, segundo a avaliação do Mirabaud, uma vitória democrata no Congresso não concederia liberdade ampla à oposição, pois o poder de veto de Trump torna provável um cenário de paralisia legislativa até 2029, sem alterações nas alíquotas de tributação corporativa, enquanto sanções e tarifas permanecem majoritariamente sob alçada presidencial.
Os mercados de previsão também acumulam históricos de erros relevantes em suas projeções. De acordo com informações da Bloomberg, a Kalshi chegou a atribuir 80% de chance de vitória a Flávio Bolsonaro na eleição presidencial brasileira, pleito que terminou com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. O caso expõe os limites dessas cotações e demonstra que a preferência entre investidores e apostadores não assegura o resultado das urnas.

