Em 7 de agosto de 1991, um confronto armado na Rua Lineu de Paula Machado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro, levou as autoridades a investigarem a hipótese de uma tentativa de sequestro contra a apresentadora Xuxa Meneghel e a então paquita Letícia Spiller.
A ocorrência começou quando dois policiais militares abordaram um veículo Chevette com placa de São Paulo estacionado irregularmente perto do Teatro Fênix, onde o programa Xou da Xuxa, da TV Globo, era gravado. Os ocupantes do carro reagiram a tiros, atingindo fatalmente um dos soldados no peito e ferindo gravemente o outro.
Durante a fuga, o Chevette foi perseguido por seguranças privados em um carro-forte. Após percorrer cerca de um quilômetro sob intensa troca de tiros, o automóvel entrou na contramão na Rua Maria Angélica e colidiu com um Fiat Uno. O motorista do Chevette morreu atingido na cabeça, enquanto o passageiro sofreu ferimentos no pescoço e foi levado em estado grave ao Hospital Miguel Couto.
De acordo com um tenente da Polícia Militar na época, o sobrevivente teria feito uma declaração na ambulância que levantou a suspeita: “Ele disse que amava Letícia e que a levaria para São Paulo com a Russa”. Os suspeitos foram identificados como os irmãos Douglas e Alberto Loricchio, de 18 e 21 anos, estudantes e técnicos em eletrônica oriundos de São Paulo.
No interior do automóvel adaptado, a polícia encontrou seis escopetas acionadas por botões no painel e na traseira, oito granadas de mão, duas bombas e um mapa da região com a localização do Teatro Fênix marcada. Os dois estavam hospedados no Hotel Praia Leme, localizado a poucos metros do edifício de Letícia Spiller. Apesar das evidências, a linha de investigação sobre o sequestro não foi comprovada de forma conclusiva no inquérito.
Em depoimento, familiares dos suspeitos contestaram a tese de sequestro. O irmão mais velho e os pais afirmaram surpresa com o caso, ressaltando que, embora enfrentassem dificuldades de socialização, os jovens jamais haviam apresentado comportamento violento. Nos estúdios, a diretora Marlene Mattos manteve a rotina de gravações e só informou Xuxa sobre o ocorrido no fim do dia, decidindo posteriormente mantê-la por mais tempo em Buenos Aires como medida de segurança.



