Perigos da beleza: a moda de injetar substâncias de pesquisa sem aval da Anvisa

Especialistas alertam para os riscos do uso de peptídeos

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As redes sociais se tornaram vitrine para uma tendência arriscada que acendeu o sinal de alerta entre médicos e autoridades sanitárias. Vídeos de influenciadores aplicando em si mesmos misturas de peptídeos, muitas vezes vendidas apenas para “fins de pesquisa” e não aprovadas para consumo humano, acumulam milhões de visualizações.

Um dos casos relatados em reportagem da BBC é o de Katie. Ela compartilha sua rotina aplicando o GHK-Cu, um peptídeo de cobre, diretamente nas nádegas. Embora o rótulo do produto proíba o uso em humanos, ela afirma estar confiante nos resultados para a pele e cabelo. No entanto, a ciência alerta que a falta de testes torna a prática uma verdadeira roleta russa biológica.

Os peptídeos são cadeias de aminoácidos produzidas naturalmente pelo corpo, atuando como “mensageiros” celulares. A medicina já utiliza versões regulamentadas, como a insulina e os famosos GLP-1s (usados para perda de peso). O problema, segundo o clínico geral Mike Mrozinski, é que o sucesso desses medicamentos normalizou o uso de agulhas, reduzindo a barreira psicológica para a autoinjeção de substâncias duvidosas.

O professor de anatomia Adam Taylor, da Universidade de Lancaster, classifica os usuários desses produtos como “ratos de laboratório”. Ele monitora o mercado paralelo e destaca que muitos desses frascos contêm endotoxinas bacterianas que podem causar desde febre até choque séptico.

Outro adepto da prática é Jack Sarginson, de 24 anos, que recorreu a um coquetel apelidado de “Wolverine” para tratar uma lesão nas costas. Apesar de relatar melhora, especialistas insistem que os efeitos a longo prazo são desconhecidos.

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No Reino Unido, o médico Syed Omar Babar defende que estamos em uma “era de ouro” dos peptídeos, mas admite que a falta de interesse da indústria farmacêutica em patentear substâncias naturais trava os testes clínicos padrão-ouro. Enquanto a regulação não avança, o sistema médico tradicional segue sem ferramentas para reverter possíveis condições crônicas causadas por esse mercado sem controle.

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