Mila Seidl, viúva do piloto e influenciador Lito Sousa, revelou nesta terça‑feira (3) detalhes sobre os últimos dias de vida do marido durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda. Ela informou que o influenciador faleceu no início de outubro, aos 59 anos, em decorrência de pneumonia, agravada pela doença neurodegenerativa Creutzfeldt‑Jakob (DCJ).
Especialista em aviação, Lito foi diagnosticado com a DCJ, condição rara, progressiva e fatal. Segundo a viúva, ele manteve a capacidade cognitiva preservada até o fim, mas a doença provocou um “aprisionamento” em seu próprio corpo, sobretudo após o agravamento da pneumonia. A progressão da DCJ e da infecção pulmonar fez com que Lito perdesse os movimentos dos braços e das pernas, a sustentação do tronco e a habilidade de permanecer sentado. Posteriormente, deixou de controlar o pescoço e a cabeça, além de apresentar dificuldades de deglutição, o que exigiu a implantação de uma sonda de alimentação.
Foto: Reprodução/Instagram
Antes de morrer, Lito deixou um testamento e declarações de vontade nos quais expressou que não desejava ser intubado nem permanecer em estado vegetativo. “Ele tinha feito algumas declarações de vontade, de coisas que topava e coisas que não topava. Ele fez um testamento quanto a essa declaração de vontade. Na declaração, colocou o médico dele como responsável por decidir as coisas, e não eu, porque me conhecia e sabia que eu iria com ele até o fim”, explicou Mila Seidl.
A viúva contou que adaptou a residência para receber o marido e oferecer os cuidados necessários. Entre as mudanças, ampliou as passagens para permitir a circulação de uma cadeira de rodas. “Eu já estava pronta para ficar com o Lito quatro, cinco, seis, dez, 15, 20 anos na cadeira de rodas, fosse como fosse. Mandei adaptar toda a casa, aumentar as passagens para ele poder ir de cadeira de rodas. A gente já estava mudando de casa para poder receber ele. Foi tudo pensado nisso”, destacou.
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O diagnóstico de pneumonia alterou o cenário. Lito iniciou tratamento com antibióticos, mas a equipe médica alertou que, caso não houvesse melhora, seria necessária a intubação – procedimento que contrariava sua vontade previamente documentada. Como a resposta ao tratamento não foi satisfatória, os níveis de oxigenação caíram, e os médicos explicaram que seria preciso um suporte respiratório mais intenso, também contra os desejos expressos.
“Naquela situação dele não tinha como reverter. Então seria como manter ele vivo artificialmente. Ele ficaria com sonda, com tubo, sedado, mas não estaria aqui. E isso era uma situação que ele não queria”, lembrou Mila Seidl. A decisão de não autorizar a intubação foi um dos momentos mais difíceis para a viúva, que chegou a questionar a equipe, mas acabou por respeitar a vontade deixada pelo marido.
Lito permaneceu quase 72 horas sob cuidados paliativos. Segundo Mila, graças à boa saúde e ao coração forte, o organismo resistiu por mais tempo. Foi nesse período que começou a ser produzido o vídeo de despedida, a pedido do próprio influenciador. “Isso era uma recomendação que ele deu: ‘Eu quero que você comunique as pessoas de uma forma bonita. Não quero que apareça você chorando'”, contou.
Mila Seidl permaneceu ao lado do marido durante a maior parte desse tempo, mas confessou que não conseguiu acompanhá‑lo nos últimos minutos. “Eu não dei conta de ficar. Eu fiquei o tempo inteiro, mas no final, não consegui”, admitiu.
A despedida final contou com a presença de Mauro, grande amigo e também piloto, e de Fernanda Cieri, médica e amiga da família. Para marcar o momento, foi preparada uma playlist com músicas favoritas de Lito; a faixa que tocava quando ele se foi foi “Ordinary World”, da banda Duran Duran.
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