Justiça mantém prisão de advogada em inquérito ligado ao PCC

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Créditos: Imagem/Divulgação

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou, nesta quinta-feira, um pedido de habeas corpus impetrado pela defesa da influenciadora e advogada Deolane Bezerra. Com a decisão, a prisão preventiva de Deolane é mantida no âmbito de uma investigação sobre lavagem de dinheiro com supostas ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A influenciadora permanece detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, desde o dia 21 de maio, quando foi deflagrada a operação policial.

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A defesa de Deolane Bezerra já havia enfrentado reveses legais anteriores. Em maio, o próprio TJ-SP rejeitou um pedido liminar. Posteriormente, no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino também negou um pedido de prisão domiciliar, argumentando que não identificou “manifesta ilegalidade” na manutenção da prisão preventiva. A Justiça decretou a prisão preventiva de Deolane após apontar um risco de fuga, com base em informações de que ela teria retornado ao Brasil na véspera da operação, após semanas na Europa, enquanto familiares do líder do PCC, Marcola, teriam deixado o país durante as investigações. O nome da advogada chegou a ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol.

A investigação que levou à prisão da advogada teve início em 2019, com a descoberta de bilhetes manuscritos. O material foi encontrado por agentes penitenciários escondido em celas e na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, também no interior paulista. Esses bilhetes continham ordens internas do PCC, contatos de integrantes da facção e referências a ações violentas direcionadas a servidores públicos. Segundo os investigadores, os documentos foram cruciais para a abertura de três inquéritos e permitiram o mapeamento detalhado da estrutura financeira da organização criminosa.

A análise dos manuscritos conduziu as autoridades a uma transportadora de cargas localizada em Presidente Venceslau, próxima ao complexo penitenciário, que foi apontada como uma empresa de fachada para movimentar recursos financeiros do PCC. O Ministério Público e a Polícia Civil afirmam que a transportadora realizava repasses para contas de terceiros com o objetivo de ocultar a origem ilícita do dinheiro da facção, e duas dessas contas estariam em nome de Deolane Bezerra. O delegado Edmar Caparroz explicou o modus operandi: “O crime organizado deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e quando precisa esses recursos retornam para o crime organizado”. A Polícia Civil também apontou Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola e residente em Madri, na Espanha, como o principal elo entre Deolane e o líder do PCC. Um relatório policial destaca que “Deolane Bezerra dos Santos é hoje uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem e capitais gerido pela organização criminosa”, embora o mesmo documento esclareça que ela não teria sido “batizada” formalmente na facção nem possuiria apelido no PCC.

Apesar das acusações e das decisões judiciais desfavoráveis, Deolane Bezerra nega veementemente qualquer envolvimento com atividades ilícitas. Ela defende que os R$ 24 mil mencionados no processo foram um pagamento por serviços advocatícios regularmente prestados a um cliente. A manutenção da prisão preventiva sinaliza a continuidade da investigação sobre a complexa rede de lavagem de dinheiro, mantendo a influenciadora sob custódia enquanto as apurações prosseguem em diversas instâncias da Justiça.

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