Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) continuará respondendo a dois processos criminais no Supremo Tribunal Federal, apesar de ter deixado o Brasil e estar nos Estados Unidos. O pedido da sua campanha foi encaminhado ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques, logo após a derrota nas eleições presidenciais ocorrida em 26 de outubro de 2026.
Com foro privilegiado e em prisão domiciliar, o senador – filho do ex‑presidente Jair Bolsonaro – é investigado em duas ações que tramitam na Corte. O primeiro caso tem como foco o advogado Willer Tomaz, acusado de lavagem de dinheiro ligada a negócios de apostas, e surgiu depois que uma secretária do profissional citou o nome do parlamentar ao relatar o cancelamento de uma conta da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que já está sob investigação da Polícia Federal.
Na última semana, o relator Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões dos bens de Willer Tomaz. A medida seguiu a descoberta da PF de que o advogado viajou para Miami após ser alvo, em agosto, de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais em aposentadorias.
O segundo inquérito examina os pagamentos feitos pelo ex‑banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex‑presidente Jair Bolsonaro. A trama ganhou destaque quando o site The Intercept divulgou conversa em que Flávio solicitava recursos a Vorcaro para financiar as gravações. O senador negou qualquer vantagem indevida, alegando que os recursos eram de natureza privada.
Flávio Bolsonaro foi incluído no inquérito em julho de 2026 e passou a ser investigado formalmente. Apesar de não ocupar o cargo de presidente da República, ele mantém o mandato de senador até 1º de fevereiro de 2027, data em que deverá encerrar seu mandato legislativo.
A jurisprudência atual do STF entende que a competência da Corte para julgar ex‑parlamentares permanece mesmo após o término do mandato, quando os crimes investigados estiverem vinculados ao exercício da função pública. Por isso, as duas investigações tendem a prosseguir independentemente da conclusão do mandato senatorial.
Na terça‑feira, 27 de outubro, o investidor e ex‑secretário de Turismo do México, Simón Levy, publicou nas redes sociais que Flávio Bolsonaro teria chegado aos Estados Unidos em uma articulação liderada pelo secretário de Estado norte‑americano Marco Rubio. A informação, confirmada pela agência Reuters, indica que a suposta fuga ocorreu menos de 48 horas após a derrota nas eleições.
No dia anterior, 26 de outubro, a Polícia Federal proibiu o senador de deixar o país e o intimou a entregar todos os seus passaportes em até 24 horas. O prazo expirou na manhã de 27 de outubro sem que os documentos fossem entregues, o que levou ao seu cancelamento. Assim, apesar da saída do território nacional, Flávio Bolsonaro permanece sujeito ao acompanhamento das investigações no STF.

