O que foi noticiado em 2019. Em 18 de dezembro de 2019, o MP-RJ apontou que a rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro começou antes de Fabrício Queiroz. Segundo o relatório, a ex-chefe de gabinete Mariana Lúcia da Silva Ramos Mota teria recebido R$ 39,4 mil, em 15 transferências feitas por um ex-assessor entre janeiro de 2007 e março de 2008. Esse valor equivaleria a 45% do salário do servidor. Quando ela deixou o cargo, os repasses passaram a ser feitos à conta de Queiroz. O MP também afirmou que ela própria sacou cerca de 40% do próprio salário, cerca de R$ 134 mil.
Um detalhe que a manchete embaralha: Mariana Lúcia foi substituída na chefia do gabinete por Miguel Ângelo Braga Grillo, o “coronel Braga”. Ele seria denunciado depois.
A denúncia. Em novembro de 2020, o MP-RJ denunciou 17 pessoas. Flávio foi acusado de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita entre 2007 e 2018. A lista incluía Queiroz, a mulher de Flávio, Fernanda Bolsonaro, e o chefe de gabinete, Braga Grillo.
A virada na Justiça. O caso perdeu força quando o STJ acolheu recurso da defesa e anulou as decisões tomadas pela Justiça do Rio no início da investigação. A defesa alegava direito a foro privilegiado, e o tribunal também considerou ilegítimo o compartilhamento de dados entre MP-RJ e Coaf sem autorização prévia. Flávio nega ter comandado qualquer esquema e costuma citar as decisões que invalidaram provas do processo.
2026. O tema voltou com a campanha. Flávio, hoje candidato do PL, disputa o segundo turno presidencial. No fim de setembro, uma decisão de Gilmar Mendes reexpôs mensagens e movimentações financeiras da investigação. Nesta terça (20/10), o TSE manteve, por unanimidade, a remoção de publicações que associavam Flávio à Operação Unha e Carne e a práticas criminosas. A operação é um caso à parte, que atingiu aliados dele no Rio.

