Diagnóstico de tumor cerebral no brasil revela desafios além da dor de cabeça

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O Brasil registra aproximadamente 11 mil novos casos de tumor cerebral anualmente, conforme estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Embora a dor de cabeça intensa seja um sinal de alerta conhecido, especialistas destacam que os sintomas da condição são muito mais diversificados e nem sempre se manifestam inicialmente com cefaleia, exigindo atenção para uma variedade de outras manifestações clínicas.

A detecção precoce de tumores cerebrais é um desafio complexo, dada a amplitude de manifestações que podem indicar a presença da doença. A variação dos sintomas está diretamente ligada à localização e ao tipo do tumor no cérebro, alertando para a necessidade de avaliação médica especializada e a conscientização sobre um leque de sinais que vão muito além do incômodo na cabeça.

Entre os sinais de alerta que podem surgir, incluem-se irritabilidade ou perda da inibição social, lapsos de memória, alterações na visão, náuseas sem causa aparente, dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo e perda de equilíbrio. Casos de convulsão em adultos sem histórico da condição também são um indicativo importante. Segundo o neurocirurgião Ricardo Ono Maruyama, do IBCC Oncologia, a diversidade dos sintomas ocorre porque existem diferentes tipos de tumores cerebrais, como gliomas e ependimomas, e suas manifestações dependem da região cerebral afetada. Ele complementa que um tumor em uma área motora, por exemplo, causará perda de força, enquanto uma lesão na área da fala impactará a expressão verbal. Há também a possibilidade de metástases cerebrais, lesões que se originam em outro órgão e se espalham para o cérebro, podendo se desenvolver em áreas “silenciosas” sem provocar sintomas neurológicos perceptíveis por um período.

O diagnóstico de um tumor cerebral, conforme explica a oncologista Pamela Leite, do Hcor, é um processo geralmente dividido em três etapas essenciais: avaliação clínica com exame neurológico, exames de imagem e a confirmação anatomopatológica por meio de biópsia ou cirurgia, que hoje inclui análise molecular para definir o tratamento. Embora a maioria dos tumores cerebrais não tenha causa identificável, alguns fatores de risco incluem a exposição à radiação ionizante, como radioterapia prévia na cabeça, e síndromes genéticas raras, como neurofibromatose e Li-Fraumeni. Contudo, não há evidências científicas que vinculem celulares, micro-ondas ou traumas cranianos à causa de tumores cerebrais.

A importância do diagnóstico precoce é ressaltada por Ricardo Ono Maruyama, que afirma que ele aumenta significativamente as chances de sucesso do tratamento, melhora a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes, podendo inclusive recuperar funções neurológicas comprometidas. O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapias-alvo, dependendo do tipo e estágio da doença. Técnicas avançadas como a neuronavegação, que utiliza exames de imagem para criar um mapa tridimensional do cérebro para cirurgias mais precisas, têm sido empregadas para minimizar riscos e aumentar a eficácia da ressecção tumoral. A capacidade de recuperação de funções cognitivas ou motoras perdidas é possível devido à neuroplasticidade cerebral, a capacidade do cérebro de se reorganizar, como destaca Pamela Leite. Com reabilitação multidisciplinar, muitos pacientes conseguem recuperar parcial ou totalmente funções comprometidas, um processo que pode se estender por meses ou anos, dependendo da idade do paciente, área cerebral afetada, extensão da lesão e rapidez do início da reabilitação.

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