Derrota nas urnas e desdobramentos judiciais colocam Flávio Bolsonaro sob suspeita de fuga do país

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Créditos/Reprodução Internet

Após a derrota no segundo turno das eleições presidenciais no domingo (25) para Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Flávio Bolsonaro (PL) entrou no centro de uma complexa disputa judicial no Supremo Tribunal Federal (STF). A confirmação do resultado das urnas desencadeou uma sequência de decisões judiciais e apurações policiais que culminaram no cancelamento dos passaportes do parlamentar e na suspeita de que ele teria deixado o país sem autorização. A movimentação ocorre após declarações prévias do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de o irmão sair do Brasil em caso de revés eleitoral.

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No pleito de domingo, Flávio Bolsonaro obteve 48,21% dos votos válidos, somando 59.826.041 sufrágios, enquanto Lula garantiu a reeleição com 51,79%, o correspondente a 64.256.232 votos. O resultado representou uma virada em relação ao primeiro turno, ocasião em que o candidato do PL liderou com 47,03% dos votos válidos frente a 45,16% do adversário. A votação foi marcada por uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que atendeu a pedidos de ambas as campanhas e prorrogou o horário de votação das 17h até as 19h em determinadas cidades devido a problemas no transporte público e condições climáticas adversas. Logo após a apuração, o senador declarou que não reconhecia o resultado e anunciou que recorreria à Justiça para anular a eleição.

Na segunda-feira (26), agentes da Polícia Federal intimaram Flávio no momento em que ele deixava a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília. A ordem, expedida pelo ministro Alexandre de Moraes a pedido da própria PF, estabeleceu o prazo de 24 horas para a entrega de seus passaportes, além de proibir o parlamentar de deixar o país e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo processo. Embora tenha gravado um vídeo nas redes sociais garantindo que cumpriria a determinação e negando a intenção de fugir, o senador não entregou os documentos dentro do prazo fixado, que expirou na manhã de terça-feira (27).

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Em razão do descumprimento da medida judicial, a Polícia Federal efetuou o cancelamento formal dos passaportes de Flávio Bolsonaro em seus sistemas. Como não há mandado de prisão em aberto contra o parlamentar, ele não é considerado legalmente um foragido da Justiça, embora tenha deixado de responder aos contatos de aliados políticos. A última mensagem enviada pelo senador ocorreu às 08h de terça-feira ao senador Rogério Marinho (PL), coordenador de sua campanha, na qual afirmou apenas que estava “esfriando a cabeça”, sem esclarecer sua localização.

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Suspeitas sobre a saída de Flávio do território nacional ganharam força a partir de apurações jornalísticas e declarações internacionais. Informações da coluna Grande Angular, do portal Metrópoles, apontaram que o senador embarcou em um voo rumo à Flórida, nos Estados Unidos, fato confirmado por pessoas próximas à família. Paralelamente, a coluna de Igor Gadelha informou que a viagem foi articulada de forma sigilosa por um grupo restrito de aliados no Brasil e no exterior. O advogado mexicano Simón Levy, aliado do presidente Donald Trump, declarou que o parlamentar brasileiro chegou aos Estados Unidos com auxílio do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, enquanto interlocutores do senador afirmaram que ele pretende formalizar um pedido de asilo político ao governo dos EUA.

Outra hipótese investigada envolve a travessia da fronteira com a Argentina durante a madrugada para o embarque em um avião particular em Puerto Iguazú, conforme noticiado pelo veículo argentino Infobae. Esta versão, contudo, foi contestada por Fabián Fernández, porta-voz do presidente argentino Javier Milei, segundo dados divulgados pela Bloomberg. A Polícia Federal brasileira mantém interlocução direta com as autoridades da Argentina para checar o itinerário do parlamentar e esclarecer as circunstâncias do deslocamento.

O quadro atrai atenção devido ao histórico recente da família do senador em relação a investigações judiciais. Seu irmão, Eduardo Bolsonaro, reside nos Estados Unidos desde o início de 2025 na condição de foragido da Justiça brasileira, após articular a interferência de autoridades norte-americanas nos processos que apuram a tentativa de golpe de Estado. Já o ex-presidente Jair Bolsonaro também é apontado pela Polícia Federal como responsável por orquestrar uma tentativa de golpe e por ter viajado ao exterior anteriormente com o intuito de evitar uma prisão.

Além dos desdobramentos eleitorais e das restrições de viagem, Flávio Bolsonaro é alvo de inquéritos sobre crimes financeiros em curso no STF. Em processo oriundo da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, a Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Documentos da investigação indicam que o parlamentar figurava como “usuário master” de uma conta bancária mantida no banco Santander pela empresa Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e administrada por Tomaz. O acesso, que garantia elevado controle sobre as movimentações financeiras, foi cancelado em maio de 2025, em um contexto em que o ministro Alexandre de Moraes já havia determinado o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens ligados ao advogado e às suas empresas.

Em outra frente investigativa sob relatoria do ministro André Mendonça, aberta em julho de 2026, a PF apura suposta evasão de divisas, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa no financiamento do filme “Dark Horse”, obra sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A apuração aponta que Flávio teria solicitado R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, para custear a produção audiovisual. Os investigadores analisam o destino final dos valores e checam se os recursos foram utilizados para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Diante dos pedidos de prorrogação do prazo por parte da PF para analisar documentos e transferências bancárias internacionais, Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e sustenta que a captação tratou-se exclusivamente de patrocínio privado para a obra.

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