Criadoras de conteúdo do OnlyFans denunciam ameaças e exploração por gestores

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Créditos: Imagem/Divulgação

Uma investigação jornalística revelou uma série de relatos preocupantes de criadoras de conteúdo da plataforma OnlyFans, que afirmam terem sido vítimas de ameaças, controle indevido de suas contas e retenção de parte de seus ganhos por parte de gestores. Tais práticas vieram à tona por meio de um documentário da BBC Three, evidenciando um esquema de exploração que afeta profissionais do meio digital. Os casos, que incluem agressões físicas e coerção financeira, lançam luz sobre a vulnerabilidade de alguns criadores na busca por maior rentabilidade.

A plataforma OnlyFans, que conta com mais de 4,6 milhões de perfis globalmente e retém 20% da receita de seus criadores, tornou-se um ambiente onde agências de gestão e indivíduos, conhecidos como OFMs, prometem impulsionar os ganhos de seus clientes. Em troca de uma porcentagem significativa da receita, esses gestores comprometem-se a atrair assinantes e a administrar a presença online dos criadores. Contudo, a investigação aponta que essa dinâmica se transformou em um cenário de exploração, com alguns usuários chegando a descrever as práticas coercitivas como um “método cafetão”.

O caso de Rebecca, uma criadora de conteúdo de 29 anos do sul do País de Gales, exemplifica a gravidade da situação. Após buscar uma agência com promessas de aumentar sua receita, ela relatou que os empresários, inicialmente “adoráveis”, gradualmente assumiram o controle de sua rotina, fizeram comentários sobre sua aparência e tentaram limitar sua vida social. Temendo perder o domínio de seu próprio perfil, Rebecca alterou os dados de acesso da conta. Em resposta, ela recebeu mensagens abusivas, incluindo uma ameaça direta: “Vou acabar com você e com sua filha”. O incidente escalou para violência física, com um tijolo sendo arremessado contra sua janela e, semanas depois, dois homens mascarados invadindo sua residência, agredindo-a e jogando-a pela escada, chegando a estrangulá-la, conforme seu depoimento no documentário.

A investigação também revelou a existência de orientações explícitas sobre o recrutamento de criadores, a forma de assumir o controle de suas contas e táticas para lucrar com perfis alheios, incluindo a utilização de ameaças de violência. Evidências mostram contratos nos quais gestores de contas, os OFMs, retêm entre 50% e 70% da receita gerada pelos criadores. Relatos adicionais de criadores indicam que esses gestores acessaram contas, omitiram valores recebidos, alteraram senhas ou trocaram dados bancários. Uma conversa encontrada no Telegram ilustra essa prática: “Crie um e-mail e uma senha para o [OnlyFans] dela. Assim, ela não consegue entrar”. Outro exemplo é o de Leanne, ex-criadora de conteúdo de 33 anos, que assinou um contrato cedendo 50% dos ganhos e acesso à sua conta. Ela reportou ter sofrido pressão para produzir vídeos sexualmente explícitos e descobriu posteriormente que o conteúdo havia sido vendido por um valor inferior ao autorizado.

Diante das graves denúncias, o OnlyFans declarou que a acusação de “fechar os olhos” para esses problemas é infundada, reiterando que leva a segurança dos usuários “extremamente a sério”, investe em medidas de proteção e cumpre a Lei de Segurança Online do Reino Unido. A empresa também enfatizou não possuir vínculo nem endossar agências de gestão ou terceiros, afirmando que sua relação é diretamente com criadores e fãs.

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No entanto, as autoridades britânicas demonstram preocupação. Eleanor Lyons, comissária independente contra a escravidão moderna do Reino Unido, apontou que o caso de Rebecca exibe claros sinais de exploração, como controle, coerção, pressão financeira e dificuldades em romper o vínculo. O Ofcom, órgão regulador da segurança online no Reino Unido, classificou os relatos como “profundamente preocupantes” e ressaltou que plataformas reguladas devem avaliar o risco de seus serviços facilitarem crimes. Contudo, o órgão esclareceu que delitos cometidos inteiramente fora do ambiente digital não são abrangidos pela Lei de Segurança Online, o que indica uma lacuna na proteção contra a violência física e as ameaças que extrapolam o ambiente online.

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