Na manhã desta sexta‑feira (9), o jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, analisou a divulgação de um áudio em que o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro afirma ter financiado um documentário sobre Luiz Inácio Lula, interpretando o material como uma estratégia do empresário para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) na disputa presidencial e, posteriormente, facilitar sua saída da prisão.
Em entrevista ao programa WW, Junqueira descreveu o episódio como um “enredo com todos os contornos de uma história de aloprados”. Segundo ele, a gravação parece mais uma tentativa de Vorcaro de “surfar no favoritismo de Flávio Bolsonaro e ajudar o candidato para tentar, ali na frente, depois do segundo turno, deixar a prisão”.
A avaliação do jornalista vincula a divulgação da gravação ao interesse do ex‑dono do Banco Master em garantir sua liberdade após a eleição. Contudo, Junqueira questionou a procedência do material divulgado pela Veja, ressaltando que ainda não se conhece o momento, as circunstâncias e a autoria da gravação. “Sem origem conhecida e sem perícia, o material hoje, pelo menos até agora, não tem valor como prova”, declarou.
Para o analista, o áudio não representou o “tiro fatal” contra a reeleição de Lula que apoiadores de Flávio Bolsonaro celebraram. Ele ainda apontou a diferença entre a reação dos bolsonaristas à acusação contra Lula e a aceitação do suposto financiamento de Vorcaro ao filme sobre o ex‑presidente.
Flávio Bolsonaro já reconheceu que Vorcaro investiu pouco mais de US$ 12 milhões – cerca de R$ 60 milhões – no projeto intitulado Dark Horse, afirmando que os recursos foram integralmente destinados à produção. O próprio Vorcaro reapareceu no que Junqueira chamou de “enredo de aloprados”, conforme divulgado em um tweet da CNN Brasil em 10 de outubro de 2026.
A Polícia Federal, por sua vez, negou que Vorcaro tenha prestado depoimento com o conteúdo relatado pela Veja ou entregue documentos e informações à corporação. Em nota, a PF informou que as propostas de colaboração apresentadas pela defesa não atenderam aos requisitos legais e que recebeu uma notícia‑crime relacionada à publicação, a qual foi encaminhada à área técnica.
A origem da gravação gerou divisão entre os advogados de Vorcaro, segundo a apuração de Junqueira. A equipe liderada por Sergio Leonardo suspeita de uma gravação clandestina. O advogado Daniel Bialski negou envolvimento no episódio, reconhecendo a voz do cliente, mas alegando desconhecer quando e em quais circunstâncias o áudio foi produzido. Em comunicado, Sergio Leonardo e Engels Muniz não reconheceram a origem, a autenticidade nem a integridade do material.
Os produtores do documentário sobre Lula, dirigido por Oliver Stone, afirmaram não ter recebido recursos de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas e fundos vinculados ao grupo. A extração do celular do banqueiro também não continha referências a pagamentos ou patrocínio à produção; a ausência de registros, porém, não comprova que pagamentos nunca tenham ocorrido.
Ao concluir a análise, Junqueira recordou o caso de 2006, quando petistas foram flagrados tentando comprar um dossiê contra adversários e receberam de Lula a classificação de “aloprados”. O jornalista advertiu que operações desse tipo, na reta final de uma campanha, “podem acabar prejudicando justamente quem pretendia ser beneficiado por ela”. Na sua avaliação, a tentativa de atingir Lula pode acabar atrapalhando os planos de Flávio Bolsonaro.



