O ator, radialista e militante político ganês Seth Kwame Dzokoto morreu após sofrer um mal súbito enquanto participava de um intenso debate político ao vivo na rádio Owass, localizada na cidade de Tarkwa, em Gana. Durante o programa, o artista travava uma discussão acalorada com o apresentador Prince Kwaw Gyimah, criticando enfaticamente a condução dos problemas socioeconômicos do país pela atual gestão do presidente Nana Akufo-Addo, integrante do Novo Partido Patriótico.
À medida que gesticulava de forma intensa e elevava o tom de voz para argumentar sobre a falta de prestação de contas do governo de direita com a população, Dzokoto começou a perder o fôlego e a demonstrar sinais de indisposição física. Diante da gravidade do quadro do convidado, Gyimah agiu rapidamente ao interromper a transmissão da rádio e acionar imediatamente o socorro médico. O debatedor foi levado às pressas para um hospital nas proximidades, mas não resistiu e teve o óbito confirmado.
Embora a causa oficial do falecimento não tenha sido divulgada pelas autoridades médicas, o artista costumava relatar publicamente que convivia com problemas de saúde relacionados à diabetes e à hipertensão. O ganês deixa a esposa e três filhos, além de uma marcante trajetória na comunicação, no entretenimento e no engajamento partidário de seu país.
Reconhecido em todo o território nacional por sua vertente cômica, Dzokoto alcançou o auge da fama na televisão ao dar vida ao personagem “Juiz Koboo” na popular série de comédia “Efiewura”. De acordo com dados levantados pela emissora britânica BBC, a atração estabeleceu o recorde de maior duração na história da televisão de Gana. Além desse trabalho marcante, ele também integrou o elenco da bem-sucedida série de TV “Ofumesi” e participou de comerciais de teor irreverente.
Paralelamente às atuações na mídia e no humor, o comunicador mantinha uma presença ativa na vida pública de Gana. No ano de 2016, ele formalizou sua postulação política ao disputar uma vaga nas eleições parlamentares pela região de Tarkwa-Nsuaem, representando o Congresso Nacional Democrático (NDC), agremiação de centro-esquerda. Mesmo após o pleito, no qual não conseguiu obter a eleição, ele permaneceu atuando de forma contínua como militante de oposição ao partido governista.
Durante a campanha eleitoral de 2016, Dzokoto precisou enfrentar o ceticismo de parte do eleitorado, que questionava a transição de um comediante para o Poder Legislativo. Respondendo de maneira pragmática às críticas sobre a presença de artistas no Parlamento, ele ponderava que a casa legislativa já abrigava médicos, acadêmicos e advogados que não exerciam suas profissões de origem naquele espaço, mas atuavam na representação do povo. Ele ressaltava que sua função primordial no Congresso seria atuar como a voz legítima da comunidade no processo de formulação das leis do país.

