Seis semanas após trocarem a Califórnia pela região de Cotswolds, na Inglaterra, o príncipe Harry e Meghan Markle vivenciam uma fase de adaptação no país e ainda não se encontraram pessoalmente com o rei Charles III. O casal, que se mudou acompanhado dos dois filhos, o príncipe Archie, de sete anos, e a princesa Lilibet, de cinco, aguarda o regresso do monarca e da rainha consorte Camilla da Escócia para viabilizar a reunião presencial.
Apesar da distância física, há relatos de que o duque de Sussex tem conversado frequentemente por telefone com o pai. Charles III cumpre período de descanso no Castelo de Balmoral acompanhado do príncipe William, de Kate Middleton e dos netos George, Charlotte e Louis. Embora o rei faça deslocamentos pontuais a Londres para reuniões de trabalho, a viagem oficial ao Caribe programada para o próximo dia 27 de outubro pode adiar ainda mais o reencontro com o filho caçula.
A expectativa entre pessoas próximas é de que pai e filho alcancem uma convivência mais reservada e harmônica. No entanto, o vazamento recorrente de informações sobre os contatos mantidos pela dupla permanece sendo um obstáculo para a consolidação desse vínculo. Somado a isso, o recente lançamento do livro “Swan Song: Diana, My Sister”, escrito por Charles Spencer, gerou novos focos de tensão na família real.
Na publicação, o tio de Harry afirma que o rei declarou de forma ríspida, durante uma chamada telefônica, que a princesa Diana seria rapidamente esquecida após a sua morte em 1997. A declaração foi negada categoricamente por representantes do monarca, que demonstrou forte irritação com a obra, pela qual Spencer teria recebido 4 milhões de libras, quantia equivalente a aproximadamente 26 milhões de reais. Harry, por sua vez, manteve proximidade com o tio durante a temporada de verão britânica.
A decisão de retornar à Inglaterra ocorreu após uma visita de Harry à propriedade de Althorp e um encontro prévio com o rei. O casal planeja fixar residência na região ao menos durante o ano letivo das crianças, sem descartar mudanças futuras para países como Canadá ou Austrália. Desde a chegada, os dois têm compartilhado momentos com amigos próximos, entre os quais constam Ellen DeGeneres e Portia de Rossi.
Em pronunciamento durante uma aula magna sobre o luto ministrada pela neurocientista Dra. Mary-Frances O’Connor, Harry refletiu sobre as consequências emocionais do afastamento dos deveres reais em março de 2020. O príncipe revelou ter enfrentado duas semanas de depressão e um forte colapso emocional após a mudança para o Canadá, explicando que a súbita redução nos níveis de adrenalina gerou uma sensação de incapacidade temporária de funcionamento.
Enquanto a relação com o pai demonstra sinais de abertura, o distanciamento entre Harry e seu irmão, o príncipe William, permanece acentuado. Segundo a biógrafa real Ingrid Seward, a rivalidade entre os dois sempre existiu e uma eventual reconciliação exigirá um longo período de tempo, sendo um evento trágico a única circunstância capaz de uni-los no momento presente.
A complexidade da relação entre os irmãos foi detalhada por Harry em seu livro de memórias, “Spare”. O duque de Sussex relatou que, durante o funeral do príncipe Philip em abril de 2021, William recorreu ao código secreto da infância — a frase “pela vida da mamãe” — na tentativa de conter um impasse entre os dois. A abordagem, contudo, não produziu efeito pacificador, pois Harry afirmou não ter conseguido acreditar nas intenções do irmão naquele instante.



