A advogada Nathaly Moraes, contratada há dois meses por Clarice Cardoso para auxiliar nas buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro anos, expôs uma série de falhas graves na investigação conduzida pelas autoridades em Bacabal, no Maranhão. Os pequenos desapareceram no dia 4 de janeiro juntamente com o primo, Anderson Kauã, na época com oito anos, em um caso que já dura mais de nove meses sem que nenhum vestígio físico dos irmãos tenha sido localizado.
Diferentemente dos primos, Anderson Kauã foi encontrado três dias após o sumiço em uma área de floresta, debilitado por desnutrição e desidratação. O garoto conseguiu se recuperar e vive atualmente saudável com a própria família, enquanto as outras duas crianças continuam com paradeiro desconhecido.
Ao viajar para Brasília acompanhada de Clarice e também de Marize Araújo, mãe do menino Edson Davi, que igualmente se encontra desaparecido, a defensora detalhou os equívocos do processo. A advogada apontou diretamente a falta de qualificação técnica da autoridade policial incumbida dos trabalhos iniciais na cidade maranhense.
“Relacionado ao caso de Clarice, primeiro grande erro: a delegada responsável pelo caso, Dra. Ariana Souza, ela não era competente. Ela foi colocada no cargo de delegada mesmo não tendo passado na prova, mesmo não tendo sido submetida a nenhuma outra etapa do concurso público, sendo nomeada por meio de uma tutelar feita em segredo de justiça. Nunca atuou, não tinha experiência nenhuma e ela que estava a frente das investigações”, declarou a advogada.
A representante jurídica criticou abertamente o direcionamento inicial das hipóteses policiais, destacando que os agentes focaram as buscas terrestres em uma região onde os menores já não se encontravam. Ela observou que, enquanto as equipes despendiam esforços na mata, o tempo hábil para a localização das vítimas era consumido sem resultados práticos.
Nathaly Moraes também questionou a conduta adotada quando a polícia levantou a hipótese de venda das crianças por parte da mãe. “A polícia em um primeiro momento diz o que, estamos trabalhando com duas linhas de investigação: ou as crianças se perderam na mata, então as equipes vão lá buscar elas. Só que elas não foram achadas porque não estavam no local. Então, todo o esforço que aconteceu foi para buscar em uma área que elas já não estavam mais”, explicou.
A advogada enfatizou que, se a polícia cogitava o crime de tráfico de pessoas, as providências administrativas mínimas foram ignoradas. “E ai tem a segunda linha de investigação deles: a possibilidade da mãe ter vendido as crianças! Então se eles consideraram isso, estamos falando de tráfico de pessoas. Então por que não houve naquele momento um pedido de cooperação com a Polícia Federal? Por que não houve naquele momento um pedido de alerta para a difusão amarela e a difusão azul. Os procedimentos básicos deveriam ser seguidos! O básico deixou de ser feito. A estrutura de investigação foi falha! Eles perderam tempo”, ressaltou.
As apurações posteriores conseguiram comprovar de forma definitiva que Clarice Cardoso não teve nenhum tipo de envolvimento no sumiço de Ágatha e Allan, afastando completamente a genitora do rol de suspeitos. Diante dessa constatação, a advogada denunciou a possível destruição deliberada de evidências essenciais para a elucidação do caso.
“Três crianças desapareceram e uma voltou. Por que só uma foi encontrada? E por que ela foi encontrada sem roupas? Por que as roupas dela estavam estendidas como se alguém tivesse estendido? Por que havia vestígios de que essas crianças estavam na chamada casa caída, mas essa casa caída foi queimada? Quem estava tentando acabar com essas pistas? A luta é muito grande porque estamos falando de suspeita de envolvimento de autoridades”, afirmou a jurista.
Em sua análise sobre a condução das buscas, Nathaly Moraes enumerou levantamentos elementares de inteligência policial que deixaram de ser executados pelas autoridades competentes. “O básico não foi feito! Não foi levantado quem entrou e quem saiu da cidade de Bacabal naquele período (do desaparecimento). Não foi levantado os telefones que poderiam estar acionados na proximidade. Não levantaram se teve registro tardio de crianças na faixa etária dos meninos. Não foi registrado se teve registro tardio de óbitos nessa faixa etária. Então me diz como é que elas seriam encontradas se não estavam sendo procuradas?”, questionou.
Por fim, a defensora rechaçou publicamente a versão de que os irmãos poderiam ter sido vítimas de um afogamento acidental no rio local. “E queriam que eu e a Clarice acreditássemos que as crianças se afogaram no rio. Gente, tinha sonar que não encontrou nada, tinha uma equipe de bombeiros profissionais, os bombeiros mesmos diziam: ‘essas crianças não estão aqui! Nós já procuramos em todos os lugares!’”, concluiu a advogada.

