A trajetória de Karl Bushby, o primeiro homem a dar a volta ao mundo a pé

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Créditos/Reprodução Internet

O britânico Karl Bushby entrou para a história ao se tornar a primeira pessoa a completar uma volta ao mundo totalmente a pé, em um percurso monumental que durou 28 anos. Nascido em Hull, no dia 30 de março de 1969, o ex-soldado transformou um passado marcado por dificuldades escolares e militares em uma jornada inédita. Ao longo de quase três décadas de caminhada, o aventureiro superou desafios extremos, como cruzar de forma solitária uma região dominada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e se tornar o primeiro homem a atravessar a pé o congelado Estreito de Bering, ponto de união entre os Estados Unidos e a Rússia.

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Antes de iniciar a expedição global, contudo, a trajetória de Bushby esteve distante de feitos extraordinários. Durante a infância e juventude, ele enfrentou um cenário adverso na escola, sofrendo episódios frequentes de bullying por conta de uma severa dislexia, diagnosticada aos 13 anos. O britânico chegou a definir seus anos de colégio como um verdadeiro “inferno”, metáfora marcante para quem, anos mais tarde, se submeteria voluntariamente a alguns dos cenários mais inóspitos da Terra.

Ao concluir a fase escolar, o jovem optou por se alistar no exército britânico, seguindo os passos de seu pai, que havia servido no 22º Regimento de Serviço Aéreo Especial (SAS), uma unidade de elite das forças armadas. Com um porte físico franzino, Bushby teve sérias dificuldades de adaptação e de progressão na carreira militar. Ele precisou passar por cinco tentativas para conseguir a aprovação na Pegasus Company, organização responsável pelo rigoroso treinamento do Regimento de Paraquedistas.

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A ideia de realizar a travessia mundial a pé começou a se desenhar em 1996, durante um tour militar, conforme relata Bushby em seu livro “Giant Steps”, publicado em 2005. Na ocasião, o ex-soldado recebeu uma carta do pai relatando que dois militares vinham considerando a possibilidade de cruzar a pé a distância entre a América e a Rússia pelo Estreito de Bering, trecho cujas águas permanecem congeladas durante alguns meses do ano.

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A perspectiva de transpor a barreira natural impressionou o aventureiro imediatamente. “Se eu pudesse atravessar a pé esses 93 quilômetros de água congelada que separam o Alasca da Sibéria, estaria na Ásia e a caminho de casa, na Europa. Aquilo me arrepiou”, descreveu Bushby na obra. O britânico concluiu então que a grandiosidade do desafio justificaria dedicar sua vida ao projeto: “Imediatamente senti que tinha descoberto algo realmente grandioso. Era grande o suficiente, estúpido o bastante e ruim o bastante para chamar a atenção de todos. Valia a pena investir anos da minha vida nisso”.

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