O livro Diário de Tremembé – O Presídio dos Famosos, de autoria do ex-prefeito e jornalista Acir Filló, ganhou nova notoriedade pública após ser apresentado na série Tremembé, disponível no Amazon Prime Video. A obra, que está atualmente proibida de circular por uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), despertou uma onda de curiosidade nos internautas sobre seu conteúdo explosivo.
O livro é um relato das experiências e interações que Filló teve enquanto esteve preso, cobrindo seu período no Centro de Detenção Provisória III de Pinheiros e sua passagem pela P2 de Tremembé, unidade que ficou nacionalmente conhecida como o “presídio dos famosos”.
Na obra, são mencionados encontros com detentos de casos notórios, incluindo Alexandre Nardoni, Cristian Cravinhos, Gil Rugai, Lindenberg Alves, Mizael Bispo de Souza e Guilherme Longo, cujas histórias criminais chocaram o país.
O portal Metrópoles teve acesso ao conteúdo do livro vetado e separou alguns dos trechos mais impactantes relatados por Acir.
Conversa com Alexandre Nardoni
Em um dos relatos, Filló descreve um diálogo com Alexandre Nardoni, condenado pelo assassinato de sua filha, Isabella Nardoni. No texto, Nardoni nega novamente o crime e levanta questionamentos sobre o atestado de óbito da menina.
“Numa manhã chuvosa em Tremembé, conversávamos nos corredores quando ele [Alexandre Nardoni] me olhou fixamente e disse: Acir, uma das coisas que mais me revolta é, na certidão de óbito da minha filha, constar como indeterminada a causa da sua morte. Se é indeterminada, como puderam me acusar junto com a Anna [Jatobá] de sermos os autores do crime? Estou indignado com isso, é uma óbvia injustiça”.
Revelações de Cristian Cravinhos
O livro também transcreve falas de Cristian Cravinhos sobre a dinâmica da família Richthofen.
“Eu conheci o Manfred em um churrasco na minha casa. Os pais de Suzane [von Richthofen] não eram contra a união dos dois, entretanto os Richthofen eram muito frios. Suzane e seu irmão Andreas tiveram uma educação muito rígida. Quando ela começou a namorar o Daniel [Cravinhos], teve contato com a “liberdade” e imaginou que estava livre para fazer o que bem entendesse e a partir dali se negava a voltar à antiga vida de enclausurada, mas uma coisa é inegável: Suzane sempre teve vida de princesa, ela tinha de tudo, menos liberdade. Como disse, seus pais eram muito rígidos e tenho a convicção de que ela jamais foi abusada ou sofreu qualquer violência por parte de Manfred, mas como era muito carente, minha família a adotou como filha. Meu pai a adorava”.
A alegação de Abdelmassih
Filló também detalha suas interações com o ex-médico Roger Abdelmassih, condenado por crimes sexuais contra pacientes.
“Eu só comi as que quiseram me dar e pronto! – disse-me Roger Abdelmassih, bastante agitado, na ocasião em que o entrevistei. Mas, Roger… Mas coisa nenhuma, meu amigo. Coloque aí no seu livro com letra maiúscula e sublinhado do jeito que eu te falei.”
A suposta fraude de Roger
Em outro trecho, baseado no relato de outro detento, o livro descreve uma suposta fraude que Roger Abdelmassih praticava para tentar obter progressão de pena, simulando problemas de saúde.
“No momento de engolir os comprimidos, ele bebia a água do copo, mas os medicamentos permaneciam em suas mãos e, em seguida, eram jogados no vaso sanitário. Se acha que estou mentindo, pergunte a qualquer um que teve contato com o Roger e vai ouvir o mesmo relato. E tudo não para por aí, ele continuava a ‘consumir’ sal diariamente e, como dizem no presídio, ‘metia o louco’. Gradativamente o espertalhão conseguia ‘montar’ um sólido histórico médico para se beneficiar. Outros presos que dividiam a cela com Roger confirmam esses fatos”.



