Ex-prefeito de Wuhan condenado a 14 anos por corrupção

3 min de leitura
Créditos/Reprodução Internet

O ex-prefeito de Wuhan, Zhou Xianwang, foi condenado a 14 anos de prisão nesta segunda‑feira, 12 de outubro, pelo Tribunal Popular Intermediário de Shangqiu, na província de Henan, por aceitar subornos enquanto comandava a cidade chinesa onde se identificou o primeiro surto conhecido de covid‑19. A decisão também prevê o pagamento de multa no valor de 5 milhões de yuans (cerca de R$ 3,7 milhões).

- Publicidade -

Segundo a sentença, Zhou recebeu subornos que totalizaram mais de 60,5 milhões de yuans (aproximadamente R$ 45 milhões) entre 2003 e 2025. O tribunal apontou que o ex‑prefeito utilizou os diferentes cargos que ocupou na província de Hubei para favorecer empresas e indivíduos em operações comerciais e aprovações administrativas, recebendo em troca dinheiro e bens de alto valor. A corte qualificou o montante como “especialmente elevado”, mas reduziu a pena ao considerar que Zhou confessou os crimes, colaborou com as autoridades e que a maior parte dos recursos obtidos ilegalmente foi recuperada.

Zhou foi colocado sob investigação em julho de 2024 por supostas “graves violações da disciplina e da lei”, expressão típica das autoridades chinesas para casos de corrupção. Embora tenha sido alvo de críticas pela condução dos primeiros momentos da pandemia de covid‑19 em Wuhan, a decisão judicial não faz referência à crise sanitária, concentrando‑se exclusivamente nas acusações de suborno.

Em entrevistas concedidas logo após o início da pandemia, o então prefeito afirmou que governos locais na China não podem divulgar informações sobre doenças infecciosas sem autorização das autoridades centrais. Essa postura foi citada como parte da controvérsia que envolveu a gestão de Wuhan nos primeiros dias da crise.

Os primeiros casos da doença surgiram em Wuhan em dezembro de 2019, quando pacientes chegaram aos hospitais locais com febre alta, tosse e dificuldades respiratórias, sintomas semelhantes aos da gripe. Pouco depois, um laboratório chinês sequenciou quase integralmente o novo vírus e alertou as autoridades de saúde, mas as informações não foram tornadas públicas.

Em meados de janeiro de 2020, autoridades sanitárias chinesas reconheceram internamente indícios de transmissão entre humanos e iniciaram preparativos emergenciais para uma possível pandemia, embora, em público, tenham minimizado a capacidade de transmissão do vírus. Com o avanço das infecções, Wuhan entrou em lockdown em 23 de janeiro de 2020, medida que perdurou por 76 dias.

Na época, a gestão municipal foi criticada pela demora em comunicar o caso às autoridades superiores. Estudos publicados em 2022 apontaram que a pandemia teria se originado em um mercado da cidade, reforçando as discussões sobre a resposta inicial ao surto.

A cobertura da condenação de Zhou Xianwang foi divulgada por agências internacionais, entre elas EFE, AFP e AP, que acompanharam o caso desde a investigação até a sentença final.

Compartilhar este artigo