Prerrogativas exige investigação da Meta por suspeita de favorecimento a Flávio Bolsonaro

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Foto: Bruno Santos/Folhapress

O Grupo Prerrogativas manifestou-se publicamente para exigir a abertura de uma investigação rigorosa contra a Meta, gigante de tecnologia que controla as plataformas Instagram, Facebook e WhatsApp, sob a suspeita de que a empresa esteja favorecendo a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais de 2026. Em nota divulgada pela entidade, da qual o advogado Marco Aurélio de Carvalho é fundador, os sucessivos bloqueios denunciados pela equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as discrepâncias no alcance das postagens indicam riscos concretos de interferência estrangeira no pleito brasileiro.

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Conforme relatórios técnicos elaborados pela coligação Brasil Pronto pra Mais, as publicações de Flávio Bolsonaro têm alcançado índices de engajamento desproporcionalmente superiores aos de Lula, mesmo que o perfil do pré-candidato do PL disponha de um número menor de seguidores. Além disso, os levantamentos apontaram anomalias relevantes nas métricas relativas à conta do atual presidente, incluindo conteúdos em vídeo que registravam volume de curtidas superior ao número de visualizações.

Embora a multinacional norte-americana tenha admitido a ocorrência de falhas operacionais em seus sistemas, a organização jurídica destaca que a empresa não especificou a dimensão exata desses problemas nem explicou de que modo eles influenciaram a visibilidade dos concorrentes. O cenário de atrito inclui a suspensão temporária da página oficial de Lula no Facebook ocorrida em setembro, ocasião em que também foram impostas restrições à sua conta de anúncios. Apesar de a medida ter sido revogada posteriormente, a equipe do petista assegura não ter recebido justificativas objetivas ou esclarecimentos sobre os prejuízos causados ao impulsionamento de suas peças publicitárias.

O impasse ganhou novos desdobramentos no último sábado (10), quando a campanha do chefe do Executivo anunciou a decisão de acionar a Justiça Eleitoral e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em razão de um novo bloqueio no Instagram. Segundo dados informados pelo Partido dos Trabalhadores, as limitações para pagamentos de impulsionamento no feed da rede social estenderam-se de sexta-feira (9) até a manhã do dia seguinte, impossibilitando a ampliação paga da entrega dos conteúdos.

Em contraponto às acusações formalizadas pela campanha governista, a Meta rechaçou categoricamente as alegações de favorecimento e classificou as denúncias como falsas. Por meio de nota oficial, a corporação defendeu que diversas instabilidades registradas recentemente não afetaram exclusivamente o território brasileiro nem contas específicas, assegurando que opera em estrita conformidade com a legislação eleitoral e mantém compromisso com a equidade no tratamento dispensado aos usuários.

Por sua vez, o Grupo Prerrogativas aponta indícios adicionais de irregularidades, englobando a suposta moderação e suspensão seletiva de publicações, fragilidades na fiscalização de anúncios políticos e a difusão de conteúdos desinformativos fabricados por inteligência artificial. A entidade critica a falta de transparência dos algoritmos de distribuição da Meta, ressaltando que esses mecanismos possuem capacidade de expandir ou limitar a exposição de figuras públicas sem qualquer controle externo efetivo.

Ao contextualizar o debate sob a ótica da soberania digital, a nota do coletivo ressalta que deliberações unilaterais tomadas por uma empresa sediada nos Estados Unidos não podem comprometer o princípio da igualdade entre os concorrentes no processo eleitoral do país. Como alternativas para contornar essa vulnerabilidade, o grupo defende o fortalecimento institucional da ANPD, a consolidação de uma infraestrutura nacional de dados e o avanço em soluções de nuvem soberana.

Diante da gravidade do quadro, o coletivo jurídico sustenta a necessidade imperiosa de auditorias independentes, transparência irrestrita por parte da empresa e uma fiscalização ativa por parte do Estado. O grupo conclui ressaltando que cabe às instituições democráticas do Brasil resguardar a autonomia da escolha eleitoral, assentando que “o destino do país deve ser decidido pelo povo brasileiro, jamais por interesses estrangeiros”.

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