A Justiça da Itália agendou para o dia 29 de outubro a nova análise do pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A decisão judicial definirá se a ex-parlamentar deverá ser enviada ao Brasil para cumprir a pena de cinco anos e três meses de reclusão estipulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O processo refere-se ao episódio em que Zambelli perseguiu um homem portando uma arma de fogo em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
O novo desdobramento no tribunal italiano ocorre após a Corte de Cassação do país identificar inconsistências no trâmite anterior e ordenar que a ação retornasse à primeira instância. Anteriormente, em abril, a Corte de Apelação de Roma havia emitido um parecer favorável ao envio da brasileira ao seu país de origem. No entanto, a defesa recorreu à instância máxima da magistratura italiana, que anulou o procedimento no mês de julho e determinou a retomada da análise.
Esta avaliação representa o segundo pedido de extradição referente à ex-deputada analisado pelo Poder Judiciário italiano no decorrer de 2026. A primeira solicitação relacionava-se à condenação de dez anos de prisão pelo envolvimento na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Contudo, em maio, a Corte de Cassação negou o pedido sob o argumento de dúvidas em relação à imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF.
A recusa da primeira solicitação em maio possibilitou que Zambelli obtivesse liberdade e deixasse o estabelecimento prisional em Roma, onde esteve detida a partir de julho de 2025. Naquele parecer, os magistrados italianos questionaram a condução praticada por Moraes, alegando que o ministro teria exercido uma dupla função por julgar a causa ao mesmo tempo em que figurava como afetado direto pelo delito, em razão da inserção de um mandado falso de prisão em seu nome durante a invasão ao sistema do CNJ.
O advogado Eduardo Maurício, encarregado da defesa da ex-parlamentar, declarou apostar em um novo indeferimento por parte das autoridades judiciais europeias em relação ao caso da perseguição armada. O defensor sustenta que a tramitação processual no Brasil não concede garantias suficientes aos direitos humanos nem aos princípios fundamentais. A equipe jurídica prepara duas revisões criminais e requerimentos para retirar o nome de Zambelli dos registros da Interpol, alegando motivações de perseguição política e parcialidade no STF.
O crime julgado na presente ação ocorreu nas ruas do bairro dos Jardins, na capital paulista, quando Zambelli se envolveu em uma discussão com o jornalista Luan Araújo após a realização de um ato político. Na ocasião, a ex-deputada sacou uma pistola e perseguiu o profissional em plena via pública. O STF estabeleceu a pena com o placar de nove votos a dois pelo delito de porte ilegal de arma de fogo e dez a um pelo crime de constrangimento ilegal com uso de armamento.
Em junho, o ministro Gilmar Mendes, relator da matéria no Supremo Tribunal Federal, encaminhou documentações às autoridades italianas para dar suporte ao requerimento de extradição. O magistrado ressaltou a plena regularidade do processo e salientou que a condenação resultou do entendimento da maioria dos membros da Corte. Para reforçar a solicitação, o governo brasileiro afiançou que Zambelli cumprirá a sanção na Penitenciária Feminina de Brasília, garantindo acesso pleno a advogados, familiares e à representação diplomática da Itália.


