A Advocacia-Geral da União anunciou, nesta sexta-feira (9), que solicitará direito de resposta e a retificação de uma reportagem veiculada pela revista Veja a respeito de um suposto financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A medida atende a requerimentos formais apresentados pela Presidência da República e pelo Ministério da Saúde, em meio a questionamentos sobre a veracidade do material e a ausência de provas sobre os alegados repasses.
Em nota, o órgão chefiado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, informou que requererá a resposta e a correção das informações divulgadas, sem descartar a tomada de outras providências legais. A iniciativa fundamenta-se na análise das solicitações do governo e nas manifestações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Em ofício enviado à instituição, o secretário especial de Assuntos Jurídicos da Presidência, Marcelo Weick Pogliese, apontou a possibilidade de calúnia no contexto da campanha eleitoral, sublinhando que existem indícios de “manipulação, falseamento e desinformação” capazes de causar danos à imagem da Presidência e à lisura do pleito.
A publicação da Veja havia atribuído ao ex-banqueiro um relato sobre repasses financeiros para a produção do documentário, alegando que ele teria exibido mensagens do aplicativo WhatsApp e comprovantes de saques em espécie direcionados ao Instituto Lula. No entanto, a acusação envolvendo o filme não fez parte das propostas formais de colaboração premiada submetidas pelos advogados de defesa do empresário.
A própria defesa de Vorcaro também contestou as alegações tornadas públicas. Em posicionamento firmado nesta sexta-feira, a equipe jurídica do ex-banqueiro informou não confirmar o teor da reportagem, além de declarar que não reconhece a origem, a autenticidade e a integridade dos dados veiculados.
Em paralelo, a Polícia Federal desmentiu ter recebido qualquer depoimento ou documentos relativos a tais transferências de recursos, pontuando que as ofertas de colaboração premiada foram indeferidas por não cumprirem as exigências da lei. A Procuradoria-Geral da República ressaltou que as tratativas ocorreram apenas por meio dos representantes legais do investigado e confirmou que Vorcaro jamais prestou depoimento oral, justamente em razão do rechaço das propostas de delação.



