Em comício realizado em Belém, no Pará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que Nossa Senhora Aparecida não será avacalhada por ninguém enquanto ele permanecer à frente da República. A declaração surgiu após a repercussão nas redes sociais de um debate sobre um projeto de lei, arquivado há quase duas décadas, que pretendia retirar o título de padroeira do Brasil da santa.
> “Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém.”
Lula aproveitou o discurso para criticar a Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão, e seu vínculo com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. O presidente qualificou a Lagoinha como “a única igreja mentirosa” e acusou Valadão de ser sócio de Vorcaro.
> “A única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha, daquele pastor chamado Valadão, que era sócio do Vorcaro.”
Ao final do evento, o ex‑governador Helder Barbalho (MDB), candidato ao Senado, presenteou Lula com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, que o presidente carregou no palco. A primeira‑dama, Rosângela da Silva (Janja), também se pronunciou, lembrando a crise que tem desgastado Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas eleições. Janja ressaltou a necessidade de respeito a todas as religiões, inclusive as de matriz africana, e pediu que o manto de Nossa Senhora proteja o país de “falsos adoradores de Deus”.
Disputa pelo Senado do Pará
O comício contou com a participação de três candidatos ao Senado: Helder Barbalho (MDB), o presidente da Assembleia Legislativa do Pará, Chicão (União Brasil), e o ex‑ministro do Turismo Celso Sabino (PDT). Barbalho e Chicão integram a chapa oficialmente apoiada por Lula; Sabino, embora filiado ao PDT, recebeu apoio direto do presidente e já gravou material de campanha com ele.
A pesquisa da Quaest, divulgada em 26 de setembro, mostrava Barbalho à frente com 25 % das intenções de voto, seguido por Delegado Éder Mauro (PL) e Chicão, ambos com 15 %, Zequinha Marinho (Podemos) com 10 % e Sabino com 5 %.
Durante o discurso, Lula enfatizou a necessidade de unidade entre os candidatos aliados, sugerindo que o presidente do PT, Edinho Silva, se reúna com o presidente do MDB para avaliar quais nomes têm condições de ser eleitos senadores. O presidente lembrou o caso do Rio Grande do Norte, onde a falta de consenso teria favorecido a eleição de Rogério Marinho (PL‑RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
> “O estado do Pará não pode eleger um bolsonarista para ser senador. Se o cara for para lá, vai para lá para infernizar a minha vida, para não deixar a gente governar.”
Celso Sabino, que deixou o governo após um ultimato do União Brasil, vestiu uma camiseta vermelha com os rostos dele e de Lula, agradecendo ao presidente por ter transformado sua vida política. Chicão, por sua vez, fez uma defesa velada de sua trajetória ao lado de Lula, afirmando ser “pessoa de grupo” e que carrega o nome do presidente no estado há muito tempo.
Helder Barbalho, ao encerrar seu discurso, alertou que brigas internas podem abrir espaço para candidatos contrários ao projeto de governo, reforçando que a prioridade deve ser eleger dois senadores comprometidos com a democracia e com as pautas do Pará.
Outros temas abordados
Lula também aproveitou a ocasião para reafirmar a soberania nacional, pedindo que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não interfira nas eleições de outubro. O presidente destacou a importância de explorar e industrializar os minérios e as terras raras brasileiras, convidando parceiros estrangeiros a transferir tecnologia ao país.
> “Não adianta o Trump ficar dizendo que tem o maior avião, maior foguete. Eu não quero guerra contra os Estados Unidos, eu quero respeito.”
O presidente ainda reiterou críticas a Daniel Vorcaro, lembrando que seu governo transformou o “banqueiro deles em prisioneiro”.
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Resumo dos principais números da pesquisa Quaest (26/09):
– Helder Barbalho (MDB): 25 %
– Delegado Éder Mauro (PL): 15 %
– Chicão (União Brasil): 15 %
– Zequinha Marinho (Podemos): 10 %
– Celso Sabino (PDT): 5 %
O evento reforçou a estratégia de Lula de consolidar apoio no Pará, ao mesmo tempo em que lançou duras críticas a adversários políticos e a setores da sociedade que, segundo ele, desrespeitam a fé e a democracia.



