Guinada à direita na América Latina impulsiona reaproximação diplomática e estratégica com Israel

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Créditos/Reprodução Internet

Impulsionada pela ascensão de lideranças conservadoras e de direita radical em diversos países da América Latina, a diplomacia regional tem passado por uma reconfiguração profunda em suas relações com o Estado de Israel. O movimento recente reverte rompimentos históricos e consolida alianças estratégicas, ideológicas e militares, alinhadas à política externa dos Estados Unidos e à visão de inserção do subcontinente na tradição judaico-cristã ocidental.

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Um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação ocorre na Venezuela. Após dezessete anos de ruptura diplomática total — deflagrada em 2009 pelo então presidente Hugo Chávez em protesto a operações militares na Faixa de Gaza —, Caracas e Tel Aviv acertaram a criação de um mecanismo formal para a retomada de serviços consulares. Trata-se de um avanço pontual, mas de forte impacto simbólico para Israel sob o atual governo venezuelano, instaurado após a captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas em janeiro.

Na Colômbia, a guinada foi ainda mais enfática. O recém-empossado presidente nacionalista de ultradireita, Abelardo de la Espriella, revogou prontamente as diretrizes do governo anterior de Gustavo Petro, que havia cortado laços em decorrência do conflito em Gaza, responsável por vitimar 70 mil pessoas desde 2023. De la Espriella anunciou não apenas a transferência da embaixada colombiana para Jerusalém, mas declarou que Bogotá passará a reconhecer formalmente a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã — território sírio ocupado desde 1967 cuja anexação não é reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), colocando o país ao lado exclusivo de Washington nesse posicionamento.

Bolsonarismo pioneiro e consolidação ideológica

Analistas internacionais apontam que a aproximação atual decorre de um ciclo iniciado anteriormente. Conforme destaca Daniel Wajner, professor associado de relações internacionais da Universidade Hebraica de Jerusalém, observadores testemunham uma verdadeira explosão na atividade diplomática regional. O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o mandatário de El Salvador, Nayib Bukele, despontaram como precursores dessa tendência, posteriormente aprofundada por figuras como o presidente ultraconservador da Argentina, Javier Milei, que transformou a aliança com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no eixo central de sua política externa.

O fenômeno também se repetiu em outros vizinhos sul-americanos. Na Bolívia, o conservador Rodrigo Paz restabeleceu prontamente as relações bilaterais após assumir o poder, desfazendo a suspensão decretada pela administração socialista anterior. No Chile, o sucessor de Gabriel Boric, o nacional-conservador José Antonio Kast, tem orientado sua gestão para recuperar a cooperação bilateral com ênfase na área de defesa.

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Segundo Isaac Caro, professor da Universidade Alberto Hurtado, no Chile, a reaproximação com Israel responde diretamente ao avanço da direita radical, associando laços bilaterais ao alinhamento ativo com Washington e a imperativos de cooperação tecnológica, militar e de cibersegurança.

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Contraponto de Brasil e México

Em sentido oposto a essa maré regional, o Brasil e o México sustentam posições críticas em relação às ofensivas militares israelenses na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Sob o comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a diplomacia brasileira atua como o principal contrapeso geopolítico no continente contra o alinhamento incondicional a Tel Aviv. Esse direcionamento, no entanto, segue condicionado ao cenário político doméstico, diante da candidatura do senador Flávio Bolsonaro, apoiado publicamente por Netanyahu com a promessa de reverter a política externa caso vença as eleições de outubro.

Já a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, opta por uma via de equilíbrio: embora mantenha firmes críticas humanitárias às ações militares no território palestino, preserva intactos os laços diplomáticos formais com Israel. Para os especialistas, em um momento de acentuada polarização global, a ampliação da influência israelense na América Latina garante legitimidade política nos fóruns internacionais, ao mesmo tempo em que oferece aos novos governos parceiros acesso privilegiado a tecnologias de ponta em segurança, inteligência artificial e defesa.

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