O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ameaçou o Irã com um isolamento econômico sem precedentes em declaração ao canal de televisão Newsmax. O anúncio ocorre em um momento de endurecimento da postura de Washington e impasse nas negociações diplomáticas, enquanto a guerra iniciada no fim de fevereiro se aproxima de completar seis meses.
De acordo com Bessent, haverá “uma combinação de isolamento econômico como o mundo nunca viu”. Ele afirmou ainda que o bloqueio contínuo no Estreito de Ormuz impedirá a entrada e saída de qualquer carga dos portos iranianos. O secretário comparou a estratégia de asfixia financeira e bloqueio físico a medidas adotadas contra Cuba e Venezuela.
O Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes do conflito, permanece como o principal ponto de divergência. Na prática, a via marítima está fechada pelo governo iraniano, que exige autorizações e planeja cobrar taxas de serviço para a passagem de embarcações, condições rejeitadas pelas autoridades norte-americanas.
A mudança no discurso de Washington ocorre poucos dias após o governo dos Estados Unidos sinalizar otimismo sobre um possível entendimento. Em meados de junho, um protocolo de acordo chegou a ser assinado entre as partes, mas as tratativas ruíram no início de julho. O presidente Donald Trump havia defendido que qualquer pacto deveria contemplar a reabertura completa da rota e o encerramento da ameaça nuclear de Teerã.
Em entrevista à Fox News, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, detalhou as prioridades atuais da administração americana. Vance afirmou que o primeiro objetivo é manter os preços de petróleo e gás acessíveis aos cidadãos americanos e, em segundo lugar, garantir que Teerã não obtenha uma arma nuclear.
Em resposta à postura de Washington, o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, criticou as ações americanas em publicação na rede social X. O ministro das Relações Exteriores afirmou que os Estados Unidos cometeram falhas de inteligência e “cálculos ruins” tanto na guerra quanto na condução da crise no Estreito de Ormuz.



