O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou publicamente o plano de 15 pontos apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a segunda fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza. A declaração ocorre após o grupo palestino Hamas ter anunciado a adesão à proposta de paz.
Durante mensagem em vídeo na abertura de uma reunião de gabinete, Netanyahu afirmou que as Forças de Defesa de Israel (FDI) não deixarão o território até a entrega completa do armamento pelo grupo. “Vou ser claro: Israel rejeita o documento de 15 pontos. As Forças de Defesa de Israel (FDI) não se retirarão até que o Hamas se desarme. E quando digo desarmar o Hamas, refiro-me a todas as suas armas: as pesadas, as menos pesadas, todas. Estamos falando de um desarmamento real, não de um fictício”, declarou o premiê.
Netanyahu afirmou ainda que seus aliados norte-americanos possuem ideias que considera inaceitáveis e ressaltou que a “existência de Israel e a segurança de todos os cidadãos de Israel não estão sujeitas a negociação”. O chefe do governo israelense enfrenta forte oposição da ala de ultradireita de sua base aliada e disputará a reeleição em outubro. Durante o pronunciamento, reforçou a oposição à autogestão palestina: “Enquanto eu for primeiro-ministro, nenhum Estado palestino será criado, nem na Cisjordânia nem em Gaza. Nem ‘Fatahistão’ nem ‘Hamastão'”.
O plano proposto pelos EUA
Divulgado em 30 de julho pelo Conselho de Paz impulsionado por Donald Trump, o roteiro de 15 pontos reativa acertos anteriores e prevê o desarmamento do Hamas com entrega do arsenal a um comitê governamental palestino em formação. Em contrapartida, o plano estabelece a paralisação das operações militares israelenses e a retirada gradual das forças de Israel até a chamada “linha amarela”, região correspondente a 53% de controle da área — atualmente, Israel controla 65% da Faixa de Gaza.
Após a recusa oficial de Israel, um representante do Hamas pediu intervenção dos mediadores em declaração à agência de notícias France-Presse (AFP): “Esperamos que os mediadores e o garantidor americano pressionem Netanyahu e o seu governo para que respeitem o roteiro e não impeçam o processo por razões de política interna ou eleitoral”.
De acordo com dados do Ministério da Saúde de Gaza, estrutura gerida pelo Hamas e reconhecida como confiável pela Organização das Nações Unidas (ONU), as operações militares israelenses deixaram 1.257 palestinos mortos no território desde outubro do ano passado.



