A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, defendeu nesta sexta-feira (17) a imposição de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada na última quarta-feira (15), foi justificada pela secretária com a acusação de que o Brasil prejudica produtores americanos por meio de práticas comerciais consideradas injustas. A manifestação de Rollins ocorreu após declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que indicou falta de “boa fé” nas negociações do governo brasileiro com Washington.
A defesa de Brooke Rollins foi publicizada por meio de suas redes sociais, onde ela associou a decisão do governo do presidente Donald Trump à proteção dos interesses dos agricultores americanos. Segundo Rollins, o Brasil tem historicamente colocado os produtores dos Estados Unidos em desvantagem devido a práticas comerciais desleais e ao desmatamento ilegal. A secretária afirmou categoricamente que “esses dias estão acabando”, sinalizando uma postura mais assertiva por parte da administração norte-americana.
Produtores rurais dos Estados Unidos vêm defendendo há anos a aplicação de punições tarifárias contra o Brasil, especialmente em setores onde há concorrência direta entre os dois países. A disputa comercial abrange produtos como pecuária, soja e etanol. Especificamente, o etanol foi incluído em um procedimento da seção 301 da Lei do Comércio de 1974, conduzido pelo Representante do Comércio dos EUA, o qual foi aberto no ano passado e culminou no anúncio do novo tarifaço. Brooke Rollins destacou que a tarifa de 18% imposta pelo Brasil ao etanol americano resultou em uma redução de mais de 87% nas exportações dos EUA para o país desde 2018.
A secretária americana ressaltou que, apesar das barreiras, o etanol dos EUA está vivendo “seu ano de maior força até hoje”, e que a gestão Trump busca ativamente a abertura de mercados e a garantia de concorrência justa para seus produtores. Durante as negociações, representantes brasileiros demonstraram disposição para reduzir as tarifas sobre o etanol, desde que os Estados Unidos, em contrapartida, diminuíssem as barreiras ao açúcar brasileiro. Contudo, o açúcar do Brasil enfrenta uma cota extremamente restritiva no mercado americano, com tarifas de até 100% para volumes excedentes. Os negociadores de Trump não aceitaram vincular as discussões sobre etanol e açúcar.
Na audiência pública da seção 301, realizada na primeira semana de julho, produtores agrícolas americanos foram majoritariamente favoráveis ao tarifaço. Bill Bullard, do Fundo de Ação Jurídica de Pecuaristas e Criadores de Gado Unidos, chegou a criticar a previsão de exceção para a carne brasileira, argumentando que a “crescente penetração de importações do Brasil e de outros países está causando danos irreparáveis”. Carne bovina, suco de laranja, café em grãos e café solúvel foram, de fato, incluídos na lista de exceções ao novo tarifaço, uma medida que visa evitar pressões inflacionárias nos Estados Unidos. Apesar do impasse, os dois governos mantêm as negociações em andamento. O Brasil, por sua vez, avalia acionar instrumentos da Lei de Reciprocidade para impor tarifas a setores americanos, enquanto um alto funcionário do governo Trump indicou que Washington tende a escalar a disputa caso haja retaliação por parte do Brasil.



