O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu um inquérito para apurar possíveis irregularidades trabalhistas relacionadas a um reality show promovido pelos influenciadores digitais Viih Tube e Eliezer. A iniciativa do órgão ocorreu após intensas críticas nas redes sociais sobre o formato do programa, que envolvia funcionários do casal em provas para ganhar prêmios. O conteúdo, intitulado “As patroas (e o patrão)”, foi retirado do ar pelos criadores no início de novembro, após o primeiro episódio gerar grande repercussão negativa.
O reality show visava oferecer entretenimento e premiar os 11 funcionários do casal com valores em dinheiro e outros bens. Os prêmios totais alcançavam R$ 60 mil, incluindo R$ 20 mil para o vencedor, além de outras premiações como uma motocicleta. A proposta original era exibir novos episódios semanalmente, às terças e sábados. No entanto, dos quatro episódios gravados, apenas o primeiro chegou a ser divulgado antes do projeto ser cancelado devido à forte repercussão negativa.
A controvérsia central girou em torno das provas impostas aos participantes e da alteração na rotina de trabalho. Eliezer deixou claro que a presença dos funcionários nos dias de gravação era obrigatória, sob pena de eliminação. Na primeira dinâmica, os empregados foram desafiados a encontrar moedas de plástico espalhadas pela casa, algumas das quais estavam depositadas dentro de um vaso sanitário e em um cesto de lixo contendo papel higiênico usado. Um dos motoristas do casal expressou indignação ao ter que enfiar a mão no lixo, mencionando a presença de fezes, em um momento que gerou grande debate.
Diante das críticas, Viviane di Felice, mãe de Viih Tube e também influenciadora, utilizou suas redes sociais para defender a filha e Eliezer, negando qualquer intenção de humilhar os funcionários. Ela destacou o carinho e o tratamento respeitoso dos patrões, além de mencionar os R$ 60 mil em premiações. Paralelamente, um grupo de funcionárias que participavam do reality manifestou-se “indignado” com o cancelamento, afirmando trabalhar felizes e serem bem tratadas. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) também se manifestou nas redes, sem citar o caso específico, alertando que expor trabalhadores a situações humilhantes pode configurar assédio moral e que “Humilhação não é entretenimento”.
A abertura do inquérito pelo Ministério Público do Trabalho visa apurar detalhadamente as “possíveis condutas trabalhistas que possam ser questionadas” no contexto do reality show. A investigação buscará determinar se houve violações aos direitos dos trabalhadores, à dignidade e à integridade no ambiente de trabalho, independentemente das intenções dos influenciadores ou da percepção dos próprios funcionários. O caso reacende o debate sobre os limites éticos e legais do entretenimento que envolve relações de trabalho, especialmente no ambiente digital onde a linha entre vida pessoal e profissional pode ser tênue.



