Milhões de jovens lidam com intimidações no ambiente escolar, prática que a Organização Mundial da Saúde (OMS) caracteriza como ações contínuas que buscam constranger os colegas. A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) aponta que um em cada três alunos no mundo já passou por esse tipo de situação.
Os reflexos desse cenário afetam diretamente a saúde e o rendimento em sala de aula. A longo prazo, o problema tem forte ligação com sentimentos de exclusão e solidão, impactando profundamente o bem-estar dos estudantes, segundo os relatórios da Unesco.
A prática de esportes, com destaque para o jiu-jítsu, tem se mostrado uma alternativa pacífica e muito construtiva para reverter esses impactos emocionais e ajudar no convívio social.
João Mingo, faixa-preta 3º grau com mais de 25 anos de experiência na modalidade, pesquisa o tema e assina artigos nas plataformas Academia e Medium. Para ele, a resposta não está no confronto, mas nos pilares mentais do esporte: resiliência, autoconhecimento e calma sob pressão.
“O esporte fortalece a mente”, afirma João Mingo, que atua como professor da arte marcial e ensina o método a jovens no Brasil e nos Estados Unidos, onde mantém três academias no estado de New Jersey.
“Buscamos garantir que o equilíbrio mental e o esforço físico garantam aos jovens uma base para enfrentarem problemas e desafios ao invés de recuar e sofrer por antecipação”, ressalta. “Como professor, vejo a mudança acontecendo seja na postura, na confiança ou no comportamento e fica claro que esse tipo de iniciativa tem um impacto real e duradouro”, relata.
O professor nota que a mudança interna transparece rapidamente e afasta as provocações. “Uma postura melhor, contato visual mais intenso, comunicação mais clara e maior equilíbrio emocional podem reduzir a percepção de vulnerabilidade que os agressores costumam explorar”, revela.
Para que a abordagem atinja seu objetivo, João Mingo destaca a importância do preparo dos instrutores que acolhem esses alunos no dia a dia. “Os benefícios do jiu-jitsu brasileiro dependem muito da qualidade do ensino”, pontua.
“Um treinador não está apenas ensinando técnicas; ele ou ela está moldando comportamento, confiança, disciplina e caráter e, para tanto, deve criar um ambiente seguro onde as crianças se sintam respeitadas, apoiadas e desafiadas de forma adequada”, afirma.



