O rapper porto-riquenho Bad Bunny, um dos maiores nomes da música global, realiza sua aguardada estreia no Brasil nesta sexta-feira (20). O artista se apresenta no estádio Allianz Parque, em São Paulo, para duas noites com ingressos esgotados, consolidando sua fase de sucesso estrondoso após uma série de conquistas internacionais e um reconhecimento crescente de seu impacto cultural. A capital paulista se torna o palco para a chegada de um dos fenômenos mais relevantes da música latina contemporânea.
Por trás do nome artístico Bad Bunny está Benito Antonio Martínez Ocasio, de 31 anos, cuja trajetória começou em Porto Rico, dividida entre pistas de skate e missas com a mãe. Sua carreira, inicialmente focada no reggaeton, expandiu-se e diversificou-se nos últimos anos. O artista alcançou o status de mais ouvido do Spotify globalmente por quatro anos consecutivos (2020, 2021, 2022 e 2023), retornando ao primeiro lugar em 2025, e celebrou marcos como uma apresentação no intervalo do Super Bowl e a conquista do Grammy de Álbum do Ano.
Em sua turnê “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, Bad Bunny entrega uma “carta de amor” nostálgica à sua terra natal, Porto Rico, com um forte posicionamento contra a gentrificação e a influência estrangeira. Musicalmente, o artista rompeu com o reggaeton genérico, desenvolvendo o que é conhecido como “trapeton”, uma fusão de reggaeton e trap caracterizada por um rap arrastado e soturno, complementado por vocais graves e uma pegada festiva. Essa sonoridade é frequentemente embalada por um componente de “sofrência”, explorando desilusões amorosas e arrependimentos.
Além da música, Bad Bunny mantém um discurso politizado e direto, defendendo os direitos LGBT e criticando a política de imigração dos EUA, além de abordar questões sociais em Porto Rico, como a crise energética e a gentrificação, exemplificado na canção “El Apagón”. A estrutura de seus shows, embora evite a pirotecnia tradicional de megashows, aposta em uma narrativa quase teatral pensada para a geração TikTok, com raízes profundas na cultura porto-riquenha. As apresentações são divididas em atos bem marcados, incluindo um momento de migração para “La Casita”, uma estrutura secundária que recria uma varanda de casa porto-riquenha para um “perreo” intimista com hits como “Yo Perreo Sola” e “Tití Me Preguntó”.
A ascensão de Bad Bunny ao estrelato global foi marcada por uma fase de onipresença, na qual ele colaborou em dezenas de músicas em um curto período, incluindo participações com artistas como Drake e Ricky Martin. Essa estratégia foi fundamental para consolidar seu nome antes de lançar seus álbuns solo aclamados, além de sua dedicação à base de fãs que ele descreveu como “La Nueva Religión”. Com influências que vão de Arcade Fire a Linkin Park, e uma estética visual que desafia normas de gênero, Bad Bunny se posiciona não apenas como um músico, mas como um ícone cultural que transporta a atmosfera de Porto Rico para audiências mundiais.



