Ex-participante expõe caso de abuso no reality show ‘America’s Next Top Model’ em documentário

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Créditos: Imagem/Divulgação

Um dos episódios mais controversos do programa “America’s Next Top Model” voltou a ser pauta com o lançamento do documentário “Reality Check: Inside America’s Next Top Model”. A produção, disponível na Netflix, revisitou o caso de abuso sofrido por Shandi Sullivan durante as gravações da segunda temporada do reality show. A ex-participante relembrou os detalhes do incidente e expressou seu desconforto com a exposição do momento, enquanto a apresentadora Tyra Banks e o produtor executivo Ken Mok também se manifestaram sobre a forma como a produção lidou com a situação.

O documentário traz à tona um momento polêmico ocorrido durante a etapa do programa em Milão. Shandi Sullivan, que participou da segunda temporada, descreveu como a experiência a afetou profundamente na época. A revelação no “Reality Check: Inside America’s Next Top Model” proporciona um olhar mais aprofundado sobre os bastidores e as repercussões emocionais vividas pela participante. A discussão reacende questões sobre a responsabilidade da produção em reality shows.

Em seu depoimento, Shandi Sullivan detalhou a intensidade da situação. “No dia seguinte, acordei e pensei: ‘Meu Deus, o que diabos aconteceu ontem à noite?’. De repente, tudo me atingiu em cheio. Simplesmente me invadiu. Fiquei sentada lá, chorando”, contou. Ao rever as imagens exibidas, ela enfatizou que a equipe deveria ter agido para interromper o ocorrimento. “Eles deveriam ter dito: ‘Certo, isso foi longe demais. Já deu. Precisamos tirá-la daqui’”, argumentou a ex-participante sobre o incidente.

Após o episódio, Shandi Sullivan expressou o desejo de deixar o programa. Diante de sua insistência, a produção permitiu que ela ligasse para o namorado, mas continuou a filmar. Ela recordou: “Era só o técnico de som e o cara que estava filmando, e depois… Eu fiquei deitada no chão, em posição fetal, chorando. Levantei para ir embora, e os dois vieram até mim e disseram: ‘Sentimos muito mesmo por termos que filmar isso’”. Questionada no documentário, Tyra Banks afirmou: “Eu me lembro da história dela. É um pouco difícil para mim falar sobre produção porque não é a minha área”. Já o produtor executivo Ken Mok defendeu o formato do programa, explicando: “Tratamos o ‘Top Model’ como um documentário. Explicávamos as regras: ‘Teria câmeras com vocês 24 horas por dia, sete dias por semana, e elas iriam registrar tudo’”. Ele acrescentou que a cena foi amenizada na edição final. Jay Manuel, outro integrante da equipe, lembrou que a regra era de que câmeras não podiam seguir uma participante sozinha no banheiro, mas no chuveiro, onde ela não estava tecnicamente sozinha, as câmeras entraram e filmaram. “Não sei de quem foi a decisão, mas, como os produtores fazem, isso agora é um ponto importante da história e vamos acompanhar até o fim”, disse Jay Manuel.

O documentário “Reality Check: Inside America’s Next Top Model” já está disponível para o público na plataforma Netflix, permitindo que os espectadores revisitem um dos momentos mais marcantes e discutidos da história do reality show. A cena em questão, apesar de ter tido sua intensidade reduzida na edição, permaneceu, para Ken Mok, como “um dos momentos mais memoráveis” do programa. A exposição do caso no documentário reacende o debate sobre a ética da filmagem e a responsabilidade da produção em programas de formato similar.

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