A influenciadora digital Virginia Fonseca publicou na última sexta-feira (6) um vídeo em suas redes sociais, diretamente de seu jatinho particular, no qual incentivou seus mais de 56 milhões de seguidores no Instagram a apostarem na vitória da seleção de Cabo Verde sobre a Argentina. A partida era válida pela fase de 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026, e os argentinos acabaram vencendo o confronto por 3 a 2. A ação da influenciadora foi identificada como uma publicidade para a plataforma de apostas online Blaze.
No vídeo, Virginia Fonseca expressou grande “esperança” de que o goleiro Vozinha, de Cabo Verde, “pegaria todas” as bolas da partida, chegando a mostrar que ela própria havia feito uma aposta na vitória da equipe africana. A publicidade gerou significativas críticas por parte dos internautas, que contestaram o incentivo direto à prática de apostas online por uma figura pública com tamanha influência.
Em resposta ao crescente número de denúncias e à repercussão de casos como o de Virginia Fonseca, a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) do Ministério Público instaurou, em 19 de junho, uma ação para investigar as diretrizes e estratégias de marketing adotadas pela plataforma Blaze. Como parte dessa investigação, a Prodecon solicitou cópias dos contratos de publicidade não apenas de Virginia Fonseca, mas também do renomado jogador de futebol Neymar Jr. com a empresa.
O foco da apuração da Prodecon reside na análise detalhada das campanhas publicitárias, especialmente no que tange ao uso da expressão “renda extra”, frequentemente utilizada para atrair novos usuários às plataformas de apostas. A iniciativa do Ministério Público considera denúncias de retenção de valores de usuários da Blaze e um relatório técnico que compila mais de 42 mil reclamações registradas contra a plataforma de apostas online, evidenciando um padrão de insatisfação entre os consumidores.
A situação envolvendo Virginia Fonseca, que partiu de uma simples publicação em redes sociais, evoluiu para um questionamento formal por parte de um órgão de defesa do consumidor, destacando a crescente atenção sobre a responsabilidade de influenciadores digitais e as práticas de marketing de empresas de apostas online. A investigação em curso visa garantir a conformidade das publicidades com as normas vigentes e proteger os consumidores de estratégias que possam ser consideradas enganosas ou prejudiciais.



