“Não há nada que prove a visita de máquinas ou vida extraterrestre ao nosso planeta”, declarou o veterano da Nasa (agência espacial dos EUA) Gentry Lee durante uma conferência realizada entre os dias 12 e 14 de fevereiro, em Phoenix, Arizona, nos Estados Unidos. A afirmação categoriza a inexistência de evidências concretas sobre a presença alienígena em nosso planeta, desafiando crenças populares e relatos de avistamentos.
Gentry Lee, um engenheiro com vasta experiência na agência espacial americana, ingressou na Nasa em 1968, onde se envolveu no programa espacial “Viking”, responsável por enviar com sucesso as primeiras sondas de pesquisa a Marte. Atualmente, ele ocupa o cargo de engenheiro-chefe na Diretoria de Exploração do Sistema Solar. Com base em sua longa trajetória e conhecimento acumulado, o veterano apresentou suas conclusões na conferência da Associação Americana de Avanços pela Ciência (AAAS), enfatizando que a maioria dos relatos de avistamentos de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) e supostos encontros extraterrestres possui explicações lógicas e menos complexas do que se imagina, completando: “Se você acredita no contrário, está sendo enganado”.
Apesar de sua posição cética quanto à visitação de alienígenas à Terra, Gentry Lee não descarta a possibilidade de vida extraterrestre em planetas distantes. Pelo contrário, o engenheiro manifestou otimismo, afirmando que “Vamos achar vida de algum tipo em algum lugar. As chances são animadoras”. Ele ressaltou a importância de os cientistas estarem preparados para encontrar formas de vida que não se assemelhem necessariamente às encontradas na Terra, desafiando conceitos cinematográficos. “Cientistas normalmente acreditam que vida extraterrestre será ‘parecida’ com o que encontramos na Terra, mas eles devem estar preparados para encontrar qualquer tipo de vida”, destacou.
Planetas como TRAPPIST–1e, localizado a aproximadamente 40,7 anos-luz e de tamanho similar à Terra, e K2-18b, um planeta coberto por oceanos a 124 anos-luz, são considerados fortes candidatos pela comunidade científica para abrigar vida. No sistema solar, luas de Saturno como Enceladus e Titã também apresentam condições potenciais para o surgimento de vida, segundo o cientista. Essas possibilidades são parte da vasta pesquisa que o engenheiro aborda em seu novo documentário, “Spaceman” (Homem do espaço), onde ele observa que telescópios como o Kepler já realizaram uma varredura significativa na Via Láctea, revelando inúmeros exoplanetas, reforçando a convicção de que “cedo ou tarde, encontraremos vida de alguma forma”.
O tema da vida extraterrestre tem gerado intensos debates e manifestações públicas de figuras proeminentes. Em 14 de fevereiro, o ex-presidente Barack Obama, em entrevistas a Brian Tyler Cohen e ao “The Late Late Show with James Corden” da CBS, afirmou acreditar em vida extraterrestre, destacando a existência de registros de objetos no céu com comportamento inexplicável e declarando: “Eles são reais, mas eu não os vi, e não estão sendo mantidos na… ‘Área 51’. Não há nenhuma instalação subterrânea, a menos que haja essa enorme conspiração e eles tenham escondido isso do presidente dos Estados Unidos”. Em resposta, o ex-presidente Donald Trump criticou a declaração de Obama e, por meio da rede social “Truth Social”, solicitou a liberação de arquivos governamentais relacionados a vida alienígena, UAPs e OVNIs. A Nasa, por sua vez, reagiu ao pedido de Trump com um tom bem-humorado, com sua secretária de imprensa, Bethany Stevens, sugerindo que tais mistérios estariam mais ligados a “projetos desnecessariamente caros do que a vida extraterrestre” em uma postagem no X (antigo Twitter).



