Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de reclusão pelos assassinatos dos pais, está formalmente acusada de furto e pode perder o benefício do regime aberto, retornando à prisão. A denúncia foi registrada pela prima, Silvia Gonzalez Magnani, que alega apropriação indevida de bens e dinheiro do tio, Miguel Abdalla Netto, que faleceu no início de janeiro. O caso envolve a disputa pelo espólio de Abdalla, avaliado em aproximadamente R$ 5 milhões, e teve um boletim de ocorrência obtido pelo jornalista Ullisses Campbell, do jornal O Globo.
O contexto da acusação se insere em um conflito judicial pela herança de Miguel Abdalla Netto, um médico aposentado que não era casado e não tinha filhos. Desde o falecimento, Suzane e Silvia estão em disputa na Justiça para definir quem assumirá o cargo de inventariante e quem terá direito aos bens. Suzane von Richthofen encontra-se em regime aberto desde janeiro de 2023, quando deixou a Penitenciária Feminina de Tremembé. Uma das condições essenciais para a manutenção deste benefício é a não prática de novos delitos, o que coloca a atual acusação sob escrutínio.
No registro policial, Silvia Gonzalez Magnani detalha que Suzane von Richthofen teria se apropriado de uma lavadora de roupas, um sofá, uma poltrona, além de uma bolsa contendo documentos e dinheiro que pertenciam ao tio. Em um processo que tramita na Vara de Família e Sucessões de Santo Amaro, em São Paulo, Suzane admitiu ter entrado na residência de Abdalla, localizada no Campo Belo, e retirado alguns objetos. Entre os itens mencionados por ela, estava um carro modelo Subaru XV.
Ainda conforme o jornalista Ullisses Campbell, Suzane relatou ter soldado o portão do imóvel e justificou suas ações como uma medida para proteger bens que, segundo sua percepção, lhe pertenceriam. Tal movimentação ocorreu antes mesmo de uma decisão judicial que defina oficialmente sobre o espólio. O falecimento de Miguel Abdalla Netto ocorreu em 9 de janeiro de 2026, em sua casa na capital paulista, com o corpo encontrado em avançado estado de decomposição. A causa da morte foi indeterminada no atestado de óbito, levando a Polícia Civil a tratar o caso como morte suspeita, pois não foram encontrados pais vivos, irmãos, filhos ou testamento.
A formalização da acusação de furto implica que, caso a investigação conclua pela existência do crime, Suzane von Richthofen poderá ter o benefício do regime aberto revogado. A consequência seria o retorno à cadeia para cumprir o restante de sua pena de 39 anos. A disputa pela herança também se acirra, com Silvia alegando ter mantido uma relação estável com Abdalla por 14 anos e possuindo uma declaração de união estável. Ela buscará que a indignidade que afastou Suzane da herança dos pais seja aplicada também ao patrimônio do tio. Por outro lado, Suzane reivindica “prioridade” por ser a parente consanguínea mais próxima, apesar de Abdalla ter sido, no passado, o responsável por impedir que ela acessasse a herança de seus pais.
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