Na terça‑feira (21), o deputado federal André Janones (Rede‑MG) publicou nas redes sociais a frase “Quem é Mariana?” acompanhada da hashtag #QuemEMarianaFlavio, direcionada ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Janones não anexou documentos nem explicou qual informação pretende divulgar, mas a publicação provocou uma rápida onda de buscas sobre Mariana Mota, ex‑chefe de gabinete do senador na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Mariana Lúcia da Silva Ramos Mota ocupou a chefia do gabinete de Flávio durante seu primeiro mandato como deputado estadual, entre 2003 e 2007. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP‑RJ), ela teria recolhido parte dos salários de funcionários antes de Fabrício Queiroz, apontado como principal operador do suposto esquema de rachadinha. Queiroz é o ex‑assessor no centro das investigações sobre a prática no gabinete de Flávio. Os investigadores também apontam que registros bancários indicam pagamentos realizados por Mariana referentes ao aluguel de uma quitinete usada por Léo Índio, primo de Flávio Bolsonaro, no centro do Rio, além de vínculos com Ana Cristina Siqueira Valle, ex‑esposa de Jair Bolsonaro.
Apesar desses indícios, nada comprova que a pessoa citada por Janones seja a mesma identificada nas redes. O nome da ex‑assessora voltou a circular, mas a associação feita nas mídias sociais não confirma a identidade da “Mariana” mencionada pelo deputado.
Na madrugada de quinta‑feira (22), Janones mudou o tom da mensagem. Ele escreveu que a denúncia não deixaria “pedra sobre pedra” e que haveria “choro e ranger de dentes”. Em sequência, afirmou: “A Mariana não tem nada a ver com o que foi divulgado até agora! Eu não passei o que tenho pra NINGUÉM ainda!” A declaração sugere que a Mariana que ele pretende expor pode não ser a pessoa identificada pelos internautas.
Até o fechamento desta reportagem, Flávio Bolsonaro não se manifestou publicamente para esclarecer o caso.
A iniciativa de Janones integra uma mobilização maior. Ele é responsável pelo canal “Exército do Lula” no WhatsApp, que contava com 8 milhões de inscritos, segundo veículo que cobriu a movimentação, e o deputado esperava alcançar 10 milhões até sexta‑feira (23). Na quinta, o próprio presidente Lula entrou no canal e aderiu à convocação, chamando o deputado de “general” em discurso em Belo Horizonte e afirmando que pretende participar pessoalmente da iniciativa.
Janones também enfrentou um susto de saúde. Foi internado na segunda‑feira (19), após o debate da Band entre Lula e Flávio, com diagnóstico de arritmia cardíaca, e recebeu alta na terça‑feira (20). Eleito pela terceira vez, mudou de partido e concorreu agora pela Rede, federada ao PSOL, obtendo 78.777 votos e garantindo o terceiro mandato consecutivo na Câmara, embora com a menor votação de sua trajetória, representando uma perda de cerca de dois terços dos votos obtidos em 2022.
Por enquanto, a pergunta de Janones permanece sem resposta. Caso ele venha a apresentar a informação prometida ou Flávio Bolsonaro se pronuncie, a narrativa poderá ganhar novos contornos.

