A atriz Nana Gouvêa revelou, em um relato sensível publicado recentemente em suas redes sociais, ter sido obrigada a se casar aos 16 anos após engravidar do homem que a abusou. A confissão detalha como a união foi imposta por seu pai, apesar da violência sexual, doméstica e de sucessivas traições, em um período que marcou profundamente sua vida pessoal.
A declaração de Nana Gouvêa veio à tona após a repercussão de um caso julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que absolveu um homem condenado por estupro contra uma menina de 12 anos. Diante da notícia, a artista afirmou que situações como a que viveu são, infelizmente, comuns em regiões como sua terra natal, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e em Goiás, onde meninas são frequentemente abusadas e, em caso de gravidez, forçadas ao casamento com o agressor.
Em seu desabafo, Nana Gouvêa recordou a imposição paterna para a manutenção do relacionamento abusivo. “Eu nunca quis me casar. Eu queria meu bebê, eu não queria me casar. Mas meu pai disse que ‘era o jeito’. Eu tinha 16 anos!”, contou. Ela detalhou que foi forçada por seu pai a manter a relação, mesmo com a violência sexual e doméstica, e só conseguiu se divorciar três anos depois, quando já era mãe de duas filhas.
A atriz descreveu o tratamento recebido durante o casamento, mencionando que seu então marido a maltratava, a deixava sozinha e grávida da segunda filha, ou com a primeira bebê, sem recursos, para viajar com amantes. Segundo Nana, o agressor ainda tentava engravidá-la novamente para supostamente “consertar o casamento”. A artista revelou que seu pai também desaprovava veementemente a separação, afirmando que “mulher divorciada só serve pra ser mulher da vida”. O fim do ciclo de violência e opressão só foi possível com o apoio de sua mãe, que a aconselhou a aceitar um trabalho no Rio de Janeiro, cuidando das netas enquanto Nana se distanciava do ambiente familiar e do ex-marido.
Ao finalizar seu relato, Nana Gouvêa expressou sua profunda tristeza e lamentou que, décadas depois, tais histórias de violência e imposição continuem a se repetir. A atriz, que é mãe de Daphyne e Angel Aguiar, frutos do antigo casamento forçado que terminou em 1994, salientou a falta de entendimento e força que muitas meninas têm para fugir de um “cativeiro” emocional e físico. A constatação de que “tudo está igual” reflete a urgência de debater e combater a violência contra a mulher.



