MP-SP investiga suspeita de regalias a Milton Leite em cadeia de Mogi das Cruzes

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Créditos/Reprodução Internet

O Ministério Público do Estado de São Paulo realizou, nesta sexta-feira (16), uma operação para investigar suspeitas de privilégios concedidos ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União), na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes. A apuração tem como foco visitas indevidas e outros benefícios que seriam incompatíveis com as normas vigentes do sistema carcerário.

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Durante as diligências, integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram três mandados de busca e apreensão no estabelecimento prisional. A intervenção decorre de uma denúncia anônima que relatava um fluxo constante e atípico de frequentadores no local, englobando inclusive indivíduos sem qualquer vínculo familiar com os detentos.

Conforme salientou o Ministério Público paulista, o padrão de comportamento identificado na unidade é “completamente destoante” da realidade aplicada a Milton Leite e aos demais custodiados. Embora a instituição não tenha detalhado quais regalias específicas estão sob apuração nem indicado nominalmente os responsáveis pelas irregularidades até o momento, indicou que as condutas investigadas podem configurar crimes de prevaricação, além de corrupção ativa e passiva.

Entre as figuras públicas que teriam estado na unidade para visitar o ex-parlamentar sem a devida autorização formal figuram o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e os deputados estaduais Delegado Olin (PP) e Rogério Franco (PL).

Registros de câmeras de segurança também reforçam as suspeitas dos investigadores. As imagens captaram a chegada de uma caminhonete associada à empresa da família de Leite nos dias 8 e 9 de outubro, além do acesso de um automóvel de luxo ao perímetro da cadeia. Em outra gravação, uma viatura descaracterizada surge no 1º Distrito Policial da região transportando dois homens e uma mulher que aparentava ser delegada.

Segundo o levantamento do órgão ministerial, um dos homens ocupantes da viatura ingressou na carceragem e retirou o ex-vereador por meio de um acesso administrativo restrito. Milton Leite permaneceu por aproximadamente uma hora na sede da delegacia antes de ser reconduzido à cela. Os autos da investigação não esclarecem o motivo da transferência temporária tampouco a finalidade do encontro presencial, enquanto a mulher que acompanhava o grupo deixou o recinto logo em seguida no mesmo veículo.

A permanência do político na prisão foi prorrogada pela Justiça de São Paulo na última quinta-feira (15) por mais 30 dias. Detido desde o dia 18 de setembro, Leite é apurado no âmbito de um inquérito conjunto do Ministério Público e da Polícia Civil sobre supostas ligações entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), empresas de ônibus, empresários e agentes públicos no transporte paulistano.

Nesse cenário, os investigadores apontam o ex-presidente da Câmara como provável articulador político do esquema e suspeitam que ele seja o proprietário de fato da Transwolff, empresa investigada por lavagem de dinheiro para a facção criminosa. A defesa do ex-vereador nega todas as acusações, e Leite declarou-se inocente ao se apresentar à polícia, afirmando confiar no trabalho das autoridades.

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