O rapper e DJ Afrika Bambaataa, um dos nomes pioneiros do hip hop, faleceu nesta quinta-feira, aos 68 anos. O artista, nascido como Lance Taylor, sucumbiu na madrugada, na Pensilvânia, às complicações de um câncer. Sua morte representa a perda de uma figura fundamental para a criação e disseminação global da cultura hip hop, deixando um legado duradouro na música e na sociedade.
Nascido no Bronx, em Nova York, Afrika Bambaataa teve uma juventude marcada pela associação à gangue local Black Spades, onde rapidamente ascendeu na hierarquia até se tornar líder. A partir da década de 1970, ele canalizou sua energia para a organização de festas no sul do Bronx, eventos que se tornaram o berço do movimento hip hop. Nesses encontros, DJs passaram a isolar e repetir trechos rítmicos de discos, criando loops para que os mestres de cerimônia pudessem improvisar rimas, dando origem ao rap e a uma nova cultura global.
A carreira musical de Bambaataa decolou com o lançamento de seu primeiro single, “Zulu Nation Throwdown”, em 1980. A canção fazia referência à Universal Zulu Nation, um coletivo artístico focado em consciência social para rappers, grafiteiros e B-boys. Dois anos depois, em 1982, ele consolidou sua influência com a faixa “Planet Rock”, lançada em parceria com seu grupo, o Soul Sonic Force. Essa música não apenas alcançou a 4ª posição na parada R&B dos EUA, mas também é amplamente reconhecida como uma das grandes inspirações para o estilo sonoro que viria a definir o funk carioca.
A repercussão de “Planet Rock” nos bailes funk cariocas trouxe Afrika Bambaataa diversas vezes ao Brasil, onde interagiu com artistas locais. Entre seus discípulos estavam Marcelo D2, que homenageou o legado do DJ em seu álbum “À procura da batida perfeita” de 2003, e Fernanda Abreu, que o convidou para participar de sua música “Tambor”. Ele também marcou presença no Rock in Rio de 2011, dividindo o palco Sunset com artistas como Paula Lima e Boss Ac. Além de sua contribuição musical, Bambaataa também se engajou em causas sociais, coproduzindo em 1985 o álbum antiapartheid “Sun City”, que contou com a participação de nomes como Joey Ramone, Run DMC e U2.
Nos últimos anos de sua vida, Afrika Bambaataa enfrentou uma série de problemas legais e acusações. Ele foi alvo de denúncias de abuso sexual feitas por vários homens, alegadamente ocorridas nas décadas de 1980 e 1990. Em decorrência dessas acusações, uma sentença à revelia foi proferida em 2025, condenando-o a pagar uma indenização a um homem que o acusava de tráfico sexual na década de 1990, após sua ausência em tribunal.



