Miks: equipe de VALORANT revela como a cena eletrônica croata moldou o novo agente

Entenda como identidade, som e narrativa se uniram para dar vida ao Miks

Isabella Wandermurem
7 Min de Leitura
Divulgação/Riot Games

VALORANT apresentou recentemente seu novo agente, Miks, trazendo ao jogo uma proposta diferente: ele não se concentrou apenas em eliminar inimigos ou controlar espaço, mas em energizar e elevar toda a equipe. Inspirado na cena eletrônica da Croácia, conhecida por festivais underground e raves comunitárias, Miks transforma cada partida em uma experiência coletiva, onde ritmo, estratégia e interação se encontram de maneira orgânica.

O personagem não é apenas um conjunto de habilidades: cada elemento de seu visual, do colarinho com um rosto de monstro inspirado no folclore croata às pulseiras de festival e padrões sonoros incorporados à roupa, reforça sua identidade, cultura e personalidade.

A construção de Miks

Em entrevista à Vanity Brasil, Kevin Meier, designer de jogo de VALORANT, detalhou o processo criativo por trás de Miks: “Começa com uma visão clara de gameplay e emocional. Depois prototipamos cedo, testamos em diferentes níveis de habilidade e iteramos bastante. Ao mesmo tempo, narrativa e arte construíam a personalidade e a identidade visual do personagem para que tudo reforçasse o mesmo conceito central”. 

Divulgação/Riot Games

Meier explicou ainda que Miks se diferenciava de outros agentes ao focar em fortalecer a equipe e gerar experiências emocionais durante a partida, ao invés de apenas controlar espaço ou empilhar utilidades. “Harbor e Vyse se apoiavam mais em controlar espaço e empilhar utilidades. Com Miks, estávamos explorando algo mais focado no time e emocional. Seu kit era sobre empoderar diretamente os aliados, o que nos levou a repensar o conceito de suporte de uma maneira um pouco diferente”, comentou.

O designer também destacou a expectativa da equipe em relação à reação dos jogadores ao experimentar o ritmo e a interação do personagem. “Estamos muito entusiasmados por ver como os jogadores vão utilizar as suas ferramentas de ritmo, especialmente a forma como as equipas se coordenam em torno das atualizações do Harmonize e das jogadas criativas do M Pulse. Também estamos curiosos para ver se os jogadores começam a criar música a partir dos sons dos seus equipamentos. Há um ritmo subtil incorporado no seu kit, e mal podemos esperar para ver o que a comunidade vai fazer com ele”.

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Influências culturais e identidade croata

Além da visão de gameplay, Miks foi profundamente influenciado pela cultura croata. Arden Youngblood, roteirista de VALORANT, explicou como referências culturais moldaram o personagem: “Para nós, a cultura não é apenas decoração. Ela realmente molda como um agente se parece, soa e se sente. Queríamos que os jogadores se reconhecessem, ou reconhecessem pessoas que conhecem, em um personagem de seu país de origem, desde o estilo de vestir até a forma de falar”.

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“Ondas sonoras inspiraram suas habilidades, nós até abordamos o design de som criando primeiro faixas musicais. Você verá padrões de ondas, painéis sonoros e pulseiras de festival em seu traje. Seu background musical reforça sua personalidade social e energética, já que a música naturalmente eleva o humor, assim como ele”, acrescentou Youngblood.

Divulgação/Riot Games

A roteirista detalhou a motivação por trás da inclusão de um personagem croata no universo do jogo: “Sempre procuramos representar diferentes partes do mundo de uma maneira autêntica. A Croácia tem uma cena criativa vibrante, especialmente na música eletrônica e underground, e essa energia parecia um encaixe natural para um agente construído em torno de som, unidade e impulso.”

Transformando música em jogabilidade

A dimensão sonora de Miks também ganhou destaque com a abordagem do designer de áudio Ryan Recto, que integrou a produção musical diretamente nas habilidades do personagem.

“Em vez de começar com efeitos sonoros tradicionais de gameplay, começamos criando música primeiro. Cada habilidade no kit de Miks foi construída diretamente a partir dos momentos mais expressivos dessas faixas, transformando ideias musicais em jogabilidade. Essa abordagem deu coesão ao kit que você realmente sente, especialmente quando habilidades como Harmonize eram recarregadas ou quando Bassquake acertava, fazendo você se sentir ao lado de um alto-falante de show”.

Youngblood explicou que o desenvolvimento do personagem começou com uma ideia central forte.

Divulgação/Riot Games

“No caso de Miks, era uma fantasia de ‘bardo de batalha’ socialmente orientado. O objetivo era garantir que a cultura influenciasse a ideia de quem o personagem era, como ele se parecia e como jogava, não era algo que se adicionava no final. Consultamos várias pessoas da Croácia no início do desenvolvimento para criar um conceito e uma persona que melhor representasse a versão croata de um bardo de batalha. A partir daí, narrativa, arte, gameplay e áudio trabalharam juntos de forma próxima para executar essa ideia”.

Youngblood reforçou ainda a proposta global do elenco de agentes: “Nosso roster é intencionalmente global. Buscamos histórias autênticas e movimentos criativos que se conectem naturalmente a identidades fortes de gameplay. Com Miks, isso significava destacar a cultura musical underground e a ideia de que o som pode unir pessoas. É uma maneira de mostrar que cenas criativas ao redor do mundo podem ser poderosas e inspiradoras”.

Com Miks, cada partida carrega ecos da cena eletrônica croata, que desde os anos 1990 consolidou-se em clubes e festivais underground, valorizando experimentação, coletividade e inovação sonora. O agente traduz esses elementos em ritmo, habilidades e interação, mostrando na prática como referências culturais podem se materializar em gameplay, oferecendo aos jogadores uma experiência estratégica e social única dentro do VALORANT.

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