A jornalista Adriana Araújo, responsável pela mediação do último debate televisivo entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que a plateia “prejudicou muito” o programa realizado pela Band no domingo, 18 de outubro de 2026, e que precisou cobrar respeito do filho do ex‑presidente para manter a ordem.
Em entrevista ao UOL News, a mediadora revelou que a equipe estava pronta para interromper a discussão caso os convidados não ficassem em silêncio, prevendo até a suspensão da transmissão. “Beirou ali o momento em que a plateia parecia que tinha gente que queria entrar no estúdio para participar do debate, quando um debate é entre candidatos”, relatou.
Adriana destacou que o comportamento de participantes de ambos os lados atrapalhou o confronto e que, em caso de escalada, a condução do programa poderia ser suspensa, avisando ao público que o programa só retornaria quando houvesse silêncio. “O pior cenário é ter um descontrole geral”, afirmou, acrescentando: “Se precisasse disso, a gente faria”.
A tensão também se manifestou nas movimentações dos candidatos no palco. Embora as campanhas tivessem concordado com a livre circulação, gestos realizados atrás do adversário geraram reclamações. “Quando chegou à consideração final, houve uma tensão muito grande. Eu paralisei ali e considerei razoável pedir ao senador Flávio Bolsonaro que respeitasse os dois minutos e que o Lula faria o mesmo”, disse.
Durante o encerramento, a gritaria da plateia tumultuou as considerações finais de Lula, com a voz de Sergio Moro (PL) identificada entre as manifestações. Flávio permaneceu atrás do presidente enquanto este tentava falar, e a mediadora precisou solicitar que o senador aguardasse sua vez; o tempo de fala de Lula foi reiniciado após as interrupções.
Na avaliação da jornalista, o debate ficou aquém das expectativas dos eleitores. “No geral, faltou debater propostas, faltou detalhamento, faltou precisão, faltou responder. Muitas perguntas ficaram sem respostas”, declarou, acrescentando que teve a impressão de que os indecisos deixaram o encontro sem definição de voto.
Adriana explicou que o papel do mediador é garantir o cumprimento das regras acordadas entre as campanhas, cabendo ao adversário contestar as declarações durante o confronto. Ela ainda defendeu as perguntas dos profissionais de imprensa como instrumento para levar a discussão a temas como saúde, segurança pública e economia.



