Em meio a um clima de polarização política, a ativista Luísa Mell divulgou nas redes sociais um vídeo emotivo solicitando doações para o seu instituto de proteção animal. No material, a fundadora descreveu a grave situação financeira da entidade, que depende de recursos para comprar ração, medicamentos, insumos básicos e garantir o pagamento dos salários dos funcionários que cuidam de centenas de cães e gatos resgatados de maus‑tratos, abandono e acidentes.
Ao invés de gerar solidariedade, a publicação foi invadida por apoiadores do ex‑presidente Jair Bolsonaro, que transformaram o apelo em campo de ataques verbais. Os comentaristas lançaram provocações como “Pede pro Lula”, “Faz o L agora” e “Vai pedir ajuda pra Janja”, usando a necessidade dos animais como pretexto para ironias de cunho político.
A campanha de Luísa Mell, que visa a sobrevivência de animais indefesos, acabou sendo reduzida a um debate ideológico, segundo a própria ativista, que denunciou a “falta de empatia” dos agressores. Os críticos ignoraram que o pedido de recursos se refere à alimentação e ao tratamento de bichos que dependem exclusivamente da ajuda da sociedade civil.
O episódio reacende críticas ao grupo político que defende Bolsonaro, já que tanto o ex‑presidente quanto seu filho Flávio Bolsonaro nunca apresentaram projetos concretos de proteção animal. Durante suas gestões, a causa foi tratada com descaso, e as propostas oficiais de Flávio não incluem nenhuma medida voltada ao bem‑estar, resgate ou saúde de animais domésticos e de rua. Essa contradição ficou evidente ao observar que, embora o grupo ignore a temática nas políticas públicas, ele se mobiliza nas redes para atacar quem dedica a vida à defesa dos animais sem apoio estatal.

